sábado, 13 de setembro de 2008

Zoo, lógico!

Olhe estas fotos:


São do zoológico de Osnabrück.

Todos os anos, os pais da Christine dão um presente surpresa de Natal aos filhos e netos. No ultimo 25 de dezembro, nada aconteceu, então o presente foi dado agora, no dia 31 de agosto. Foram no zoológico os cinco filhos do casal e seus anexos, mais, pelo que contei, uns 14 netos. Ah, sim, e eu, o Aupair, junto.


Foi um dia muito divertido. Apesar de já ter ido infindáveis vezes ao zoológico no Brasil, havia animais lá que eu não conhecia. E na hora do almoço paramos numa pracinha que, na minha avaliação, não tinha brinquedo para crianças. Por exemplo, havia lá uma girafa de madeira de uns 5 metros de altura, senão mais. As crianças subiam por escadas e desciam no tobogã. Achei que era perigoso e, pensando na segurança dos meninos, fui testar. Definitivamente, não era para crianças. Tanto que eu, adulto, desci mais duas vezes.


Também havia no zoológico um monte de espécies diferentes, como por exemplo, uma criança de cabelo moicano:

Animais de pedra:


Cena rara, um animal fora da jaula:


E um primata comendo banana:

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

As problemáticas idiomáticas

Faz um mês que estou na Alemanha. Nesse meio tempo, fiz uma série de reflexões sobre o aprendizado de uma segunda ou terceira lingua, algumas dessas reflexões sem importância alguma no contexto da história geral da humanidade. Notei, por exemplo, que aqui se geme de dor diferentemente de como se geme em português. Diz-se “aua”, em vez de simplesmente “ai”. De início achei que fosse só na casa em que estou, mas não, todo mundo fala assim aqui. Já ouvi “aua” em programas de tevê.

Também são interessantes as fases pelas quais a gente passa na busca de aprender um idioma. Cheguei aqui me virando bem na comunicação básica. Estava satisfeito. Notei que já falava alemão no Brasil, só não tivera oportunidade de usar o idioma até então. As necessidades cotidianas, porém, fazem com que a gente aprenda mais. No início eu praticamente contava quantas palavras novas eu aprendia por dia, apesar de a Christine, minha anfitriã, já ter me dito: “aprende-se alemão com a barriga, não com a cabeça”. Enfim, chega um momento em que dá uma angústia. Todo mundo falando à sua volta e você não entendendo nada. E você sabe que eles estão trocando informações simples.

A minha situação foi piorada pelo fato de eu ter ido em duas peças de teatro em que praticamente nada entendi. A primeira era infantil, ou seja, uma linguagem simples. Eu entendia o que acontecia pelo movimento das personagens em cena, mas não pela fala. Aprendi só duas ou três palavras com essa peça, apesar de ter gostado bastante. A segunda era de humor. O público ria às turras e chegou a pedir bis duas vezes. Fiquei sério quase o tempo inteiro. Eu só ria das expressões dos músicos-atores, que faziam umas imitações em capela muito engraçadas.

Depois chega uma fase que você aprende palavras em campos diferentes da vida cotidiana. Por exemplo: “alemão para cortar grama”. No meu caso, tem também o “alemão para jogar futebol”, “alemão no trânsito”, “alemão de lições de matemática” e o “alemão para fazer judô”. Isso me agrada, ter uma noção mais ampla, em vários aspectos da lingua. Por outro lado, estava sendo difícil para mim guardar todas as palavras novas que aprendia. Tem umas que se pensa que nunca mais vai ouvir, como por exemplo a que aprendi durante o teste de auto-escola: “Vorfahrt”. Esse exemplo é bom, porque ouvi a palavra, mas não sabia como escrever. Pois bem, outro dia li essa palavra num jornal e não esqueci mais. Está aprendida. Ah, sim, “Vorfahrt” quer dizer “preferência, prioridade”.

Enfim, há certa altura eu estava conseguindo me virar muito bem para falar, quer dizer, conseguindo expressar tudo que eu queria (claro que eu não estava querendo expressar muito, não sou exibido), mas não entendendo nada do que falavam, tampouco do que eu via na tevê ou escutava no rádio. Absolutamente nada. Eu inclusive gostaria de ter um gravador para registrar todas essas primeiras conversas e, daqui um ano, descobrir surpreso (ou entediado) sobre o que se tratavam.

Há duas semanas, num sábado, passei a tarde com o jornalista Manfred Fickers, que trabalha no jornal Meppener Tagespost. O Manfred é amigo da Christine e me levou para conhecer alguns lugares bacanas nos arredores, como um museu de barcos antigos e centros de reciclagem na Alemanha. Ele também estava escrevendo uma matéria sobre mim, sou um animal exótico aqui. Quando for publicada, linco neste blog. Por ora, olhe as fotos que tirei.



Pois nessa tarde eu não entendi absolutamente nada do que o Manfred dizia. Foi terrível, eu tentava achar uma palavra conhecida no meio da frase dele pra voltar ao assunto, mas não dava tempo, logo me perdia de novo. Ruim pra mim e ruim pra ele. Cheguei em casa morrendo de dor de cabeça e desiludido com a possibilidade de aprender alemão de fato um dia. Acho que isso aconteceu porque foi uma conversa entre dois jornalistas, ou seja, ele falava coisas ligadas à profissão, um vocabulário que ainda não tenho muito contato.

Curiosamente, na última sexta-feira, percebi que começo a entender muito mais a comunicação das ruas, o que as pessoas falam entre si na cidade. E dentro de casa, então, noto que já falo sem pensar, converso como um alemão conversa. Bem diferente dos primeiros dias, em que eu acordava e pensava: “bah, agora tenho que falar em outra língua”. Hoje já termino o sonho sonhando em alemão.

O primeiro dia que usei internet aqui quase pifou de vez meu cérebro. Ele estava acostumado a quase pensar em alemão, daí eu comecei a falar em português com meus amigos na internet e, duas horas depois, eu simplesmente tinha esquecido como dizer coisas simples em alemão. Deu tiuti. Hoje a mudança de idioma é fácil e rápida. Essa é outra habilidade que se adquire quando se avança no aprendizado de outro idioma.

Resumindo, me parece que agora consigo entender mais, compreender mais palavras (e cada nova palavra ajuda a entender muitas outras ligadas a ela) quando falam comigo ou quando assisto à uma conversa, principalmente quando sei o assunto. Na última sexta-feira, por exemplo, fomos no hospital conversar com o médico do Saboor. Eu entendi todas as instruções que ele deu, pois sei bem agora o tratamento que Saboor faz. Também tenho conseguido ler melhor alguns textos, seja jornal, seja livro de quadrinhos. As imagens ajudam muito nessa fase.

E esses dias aconteceu algo estranho. Aluguei o filme “Before the sunrise”, no Brasil chamado de “Antes do Amanhecer”. É um filme belíssimo, recomendo a todos assistirem, inclusive a sequência, chamada “Antes do Pôr-do-sol”. Pois bem, eu queria treinar meu inglês , então pus o idioma e a legenda em inglês. Começou o filme, e um casal estava discutindo em alemão num trem. Dei pause, procurei arrumar as configurações, mas estava tudo certo. “Scheisse”, disse pra mim mesmo (um palavrão), “este dvd não funciona direito, não vou entender nada.” Eu estava compreendendo boa parte do conteúdo da discussão do casal, mas sabia que não agüentaria o filme inteiro. Dois minutos depois, os verdadeiros protagonistas entraram em cena, falando em inglês. Quando percebi o que aconteceu, ri. Quer dizer, a fala em alemão era para não ser entendida (e me parece bem lógica a escolha do roteirista: alemão é uma lingua pra não ser entendida mesmo). E eu compreendi quase tudo!

Em todo caso, quando algo me dói ainda não digo “aua”.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Depois da travessia de limiar, testes e recompensas

Na sexta-feira, 15 de agosto, Iládio e Benedito chegaram da excursão. Eu, Christine e Saboor, que já havia recebido alta do hospital, fomos buscá-los no ônibus. De início, Iládio e Benedito nem deram bola para mim. Depois, também não. Eu era o terceiro Aupair da família, nenhuma novidade.

Fomos para casa, e lá havia uma surpresa: a comemoração do aniversário de Benedito. O aniversário na verdade tinha sido dia 8, mas como eles não estavam em casa, Christine adiou a festa. O importante era não passar em branco.


Benedito ganhou uma bicicleta nova e algumas roupas. Eu dei um par de havaianas para cada um dos meninos. Acho que foi nesse momento que passei a existir dentro de casa. Eheheheh.

Fomos todos passear de bicicleta. Saboor, que por sete meses vai permanecer com um imobilizador na perna e por isso não pode andar, foi num carrinho atado na bicicleta da Christine. Passamos no local onde a nova casa vai ser construída e, depois de muitas voltas, fizemos uma pausa na casa dos avôs dos meninos. A foto em que estou sozinho na bicicleta foi tirada por Benedito.


Sábado de tarde, fui com Iládio e Benedito na piscina. Eu fiz natação por cinco anos, sei nadar razoavelmente bem, mas a Christine pediu para a moça que cuida das crianças na piscina me aplicar um teste. Em resumo: nadar crawl, peito e costas; nadar carregando um outro menino, simulando uma situação de afogamento; nadar 50m sem parar; pegar um objeto no fundo da piscina; e pular do trampolim. Bem, passei no teste, mas fiquei imprestável na meia hora seguinte, de tão cansado. É, os anos estão começando a pesar… Ehehehe.


À noite, a Christine me disse que todos iriam no teatro e me perguntou se eu queria ir junto. Pensei: não vou entender nada… em todo caso, gosto de teatro. Era uma peça infantil, mas igual! Decidi ir. Qual foi minha surpresa ao chegar lá e ver a envergadura da coisa. Tratava-se de um teatro para, chutando, umas duas mil pessoas, encravado no meio da floresta. Isso mesmo, no meio da floresta! O cenário foi montado entre as árvores, e os atores interpretavam na terra mesmo. Só o público ficava protegido por uma abóbada. A peça era sobre uma das histórias da personagem Pipi Lange Strümpfe (Pipi Meias Compridas), muito conhecida por aqui. Não entendi quase nada, mas gostei.

Dias depois, passei por outro teste na Alemanha: praticamente uma nova prova de auto-escola. Tenho a minha carteira desde agosto de 2005 e possuo a licença internacional para dirigir. Há, porém, diferenças no trânsito de cada país, e a Christine colocou um professor de auto-escola para andar comigo. Acho que ficamos mais ou menos duas horas rodando para lá e para cá, aprendendo a entender as placas indicando a velocidade permitida em cada via, des-automatizando o gesto de não parar quando vemos uma bicicleta (aqui são elas que têm preferência em quase todas as ruas) e treinando entradas e saídas em vias expressas. Esse ultimo treinamento é mais importante: na Alemanha existem vias (Autobahn) em que se pode andar até a 200km/h, então é necessário saber bem como funciona. Passei nesse teste e pude pegar o carro da família algums vezes depois disso.

Na quinta-feira seguinte à chegada de Iládio e Benedito, começaram as aulas. Para Saboor, porém, o primeiro dia foi só no sábado, seu primeiro dia na escola. Aqui faz-se uma festa para receber as crianças, e eu pude acompanhar dessa vez. Os pequenos ganham um presente e são recebidas com música. É curioso: o primeiro na escola, que geralmente é traumático, aqui passa normalmente. Ninguém chora.


Até agora, contei como foi a viagem do Brasil até aqui, os dois dias em Amsterdam, os primeiros dias na Alemanha e a primeira semana com a família completa. A partir dos próximos posts, não preciso mais contar na ordem. Vou registrar aqui impressões e comentários conforme me ocorrem.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A primeira semana na Alemanha

Cheguei em Amsterdam falando um inglês bem básico. Conseguia me virar, não passava necessidade, mas também não conseguia entender tudo que me diziam. Dois dias lá, porém, e eu já sentia evoluções a cada hora. Essa é a tal da imersão, o melhor jeito de aprender um idioma depois que já se sabe o bê-a-bá.

Pois esse meu processo com o inglês foi interrompido na sexta-feira de manhã, 8 de agosto, quando peguei o trem rumo a Meppen, na Alemanha. Depois de duas ou três paradas, metade das pessoas já falavam alemão no meu vagão. Me vi forçado a usar o meu parco conhecimento no idioma, já que tinha de trocar de trem em uma das estações e pra isso precisava de algumas informações. Eis a foto desse momento crítico da viagem, eu esperando o segundo trem:


Deu tudo certo. Cheguei em Meppen perto das 3 horas da tarde. Fui no correio comprar um cartão pra ligar pra Christine, minha anfitriã, mas não usei. Logo ela apareceu.

A Christine é alemã e tem dois filhos adotivos brasileiros: Iládio, de 11 anos, e Benedito, de 9. Ela também recebe na sua casa o menino Saboor, de 7 anos, que levou um tiro no pé na Guerra do Afeganistão e veio morar na Alemanha por um ou dois anos, enquanto faz tratamento médico. A Christine também participa do programa de Aupair, que é o modo pelo qual vim parar na Alemanha: sou o aupair que vai cuidar das crianças da casa até agosto de 2009. Bem, já deu para perceber que é uma família fora do comum. E ainda tem mais, a história de vida dessa família é linda e rara. Outro dia falo mais sobre isso.

Logo após chegar na estação de trem em Meppen, fui com a Christine até o hospital da cidade, porque Saboor havia sofrido uma cirurgia e estava sob cuidados médicos (Iládio e Benedito estavam numa excursão e só voltariam na outra sexta-feira). Chegamos no hospital, fiz o primeiro contato com o menino: meia dúzia de palavras, só pra travar conhecimento um do outro. Estava lá o Saboor e um outro menino afegão.


Depois eu e a Christine fomos para casa, na cidade de Haselünne, guardar minhas coisas. No carro, nos comunicamos numa mistura de português e alemão, já que a Christine também fala português. Conheci o lugar em que vou morar por um ano e gravei um videozinho para registrar como é meu quarto. Ei-lo:



Bem grande e com uma vista linda. Fica no terceiro andar da casa. No primeiro, ou seja, no térreo, fica o consultório da Christine, que é médica naturalista (profissão que só existe na Alemanha) especializada em atendimento de crianças. O segundo andar é a casa, também enorme. Tem uma cozinha, uma sala com mesa de jantar, três quartos, três banheiros, uma sala pro computador e uma peça para as crianças brincarem, fora outras portas que não descobri ainda o que tem atrás. No terceiro andar, tem tudo o que tem no segundo, mas uma porta tranca o acesso a boa parte dos aposentos. Tem muito quarto pra pouca gente, não tem porque usar tudo. Pra mim, sobram o quarto que aparece no vídeo, um banheiro só pra mim, um outro quarto vazio pra receber visitas e um corredor com mesas e cadeiras. Tudo muito prático, bonito, meu mundinho na Alemanha. Em dezembro, a família muda-se para outra casa, que está sendo construída. Essa casa é menor.

Depois que guardei minhas coisas, fomos novamente ao hospital e eu tive mais tempo com Saboor. Dei uma camiseta do Brasil de presente para ele.


De tardezinha, eu e a Christine fomos ao cinema assistir a um filme rodado em Haselünne e Meppen. Desnecessário dizer que não entendi quase nada.

Bem, esse foi meu primeiro dia na Alemanha. No dia seguinte, eu e a Christine fomos de bicicleta até o hospital. Mais ou menos 20km. No caminho, ela me falou um ditado: aprende-se a falar alemão com a barriga, não com a cabeça. Quer dizer, aprende-se por necessidade, não tentando traduzir toda hora palavra por palavra. Vem naturalmente. A Christine me disse que em 3 semanas eu já estaria falando em alemão. Fomos ao hospital, ficamos lá duas horas, depois voltamos.

Os outros dias não preciso contar na ordem cronológica. Tive bastante tempo livre. Conheci familiares e amigos da Christine, todos foram muito simpáticos e receptivos, já que sou o terceiro Aupair da família e eles já estão acostumados com o processo todo. Visitei Saboor algumas vezes no hospital. Numa das visitas, fui sozinho de ônibus, um desafio para mim. Estava contente por ter dado tudo certo. Mal cheguei na ala pediátrica, porém, Saboor olhou pra mim e disse: "Augusto, nach Hause!" ("pra casa!"). Segundo ele, a Christine tinha ligado e dito que eu podia voltar para casa. Fiquei na dúvida se Saboor dizia a verdade, mal o conhecia. Fiz ele ligar pra Christine. Era verdade. Ou meia verdade: Saboor estava contente brincando com as outras crianças e não queria um adulto por perto. Ele queria que eu fosse "nach Hause" e o deixasse só com os outros meninos.

Decidi ficar. Saboor olhava para mim e repetia que eu podia ir pra casa. Eu disse pra ele que não estava mais agora no hospital como Aupair, não estava lá por causa dele: eu ficava lá porque queria brincar com as outras crianças. Foi engraçado. Eheheheh. Todos esses dias no hospital foram engraçados. Minhas primeiras frases em alemão foram ditas para crianças, e muitas dessas frases foram para explicar as regras de determinado jogo ou brincadeira. Saboor usa cadeira de rodas. Ensinei-o a também a olhar para os dois lados no corredor para ver se vinha algum carro nos cruzamentos. Disse a ele que no hospital pessoas são carros. Cheguei até a ensinar o menino a estacionar a cadeira de rodas entre duas vagas.

No fim, fiquei amigo das outras crianças.


Nessa semana, tudo era novo para mim. Cuidar de criança, falar alemão, escutar alemão, a arquitetura das cidades, a cultura… Muita coisa eu já conhecia pelas aulas de alemão no Goethe-Institut em Porto Alegre, mas mesmo assim é diferente falar dum lugar e estar nesse lugar. Não que se fique maravilhado, apenas se percebe as diferenças, às vezes muito sutis.

Bem, é melhor mostrar do que falar. Eis fotos da cidade de Meppen, onde fica o hospital:



E agora fotos da cidade de Haselünne, onde estou morando.


Aqui há muitas cidades pequenas uma ao lado da outra. A impressão é que se trata de uma cidade só. E é tudo muito organizado, limpo, bem-cuidado. Há muita natureza, florestas ao redor das cidades, rios... Os motoristas dão prioridade para ciclistas e pedestres, e quase todas as ruas têm um caminho só para bicicletas. A consciência ecológica aqui rende um post a parte.

No mais, as pequenas aventuras do dia-a-dia são muito gratificantes: puxar um assunto com a atendente da livraria, pedir uma comida no restaurante, abrir uma conta no banco. E nada mais gratificante que tomar uma cerveja e saber que tem muita gente torcendo por mim no Brasil.


Estava ansioso para conhecer Iládio e Benedito e, embora estivesse bem calmo, não pude evitar o estranhamento, pois a mente não consegue acreditar que está num lugar mais de 8 mil quilômetros distante de onde ela costuma transitar. Toda noite eu sonhava que estava de volta ao Brasil e tinha que voltar correndo pra Alemanha, pois a Christine precisava de mim. Uma noite até tive um grande pesadelo, acordei mal. Como já esperava tudo isso, levei na boa.

Demorou um pouco, mas a primeira semana passou, e então os outros meninos chegaram da excursão. Agora sim, o trabalho começava para valer.