sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Os bastidores dos museus

Está no ar minha última reportagem, sobre os bastidores de alguns dos principais museus do mundo. Infelizmente, não consegui entrevistar ninguém de fora do mundo, mas cito no texto entrevistas com profissionais da Fundação Iberê Camargo em Porto Alegre, do Malba (Museu de Arte Latino-Americano de Buenos Aires), do MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova Iorque) e do Reina Sofia, da Espanha. Por um triz, não rolou também o Louvre... De qualquer forma, agradeço à incansável jornalista Thaise Valentim, que atualmente mora em Paris, por seu empenho em me ajudar nessa missão. E ao jornalista e amigo Gustavo Hennemann, pelo suporte em Buenos Aires.

Segue abaixo o início do texto.

"Debaixo da ponta do iceberg

Diz-se que o jornalismo é a arte de sujar os sapatos. O repórter que enfrentou a chuvosa Porto Alegre de 9 de novembro de 2010 há, no entanto, de contradizer: o jornalismo é a arte de molhar os sapatos.

Na galeria da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, do Instituto de Artes da UFRGS, o repórter encontrou abrigo contra a chuva. Enquanto a entrevistada Ana Maria Albani de Carvalho, pesquisadora e professora do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais, resolvia algumas pendências, ele observava o ambiente ao redor. Uma exposição de gravuras seria inaugurada em dois dias; em razão disso, alunos equilibravam-se em escadas pendurando quadros, martelos martelavam - tap-tap-tap - e pregos afundavam na madeira - tum-tum-tum. Junto a uma mesa, uma estudante montava cada moldura numa colagem com espuma branca.

O repórter não sabia, mas sua reportagem começava ali."

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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Bolo de cenoura

O místico

O mítico

O mefítico


O poeta

O profeta

O pateta


O ator

O autor

O algoz


O crítico

O criticado

O criminoso


O sonho

O sonso

O sogro


O Augusto

O joão

A Carolina

(Ai, a Carolina...)


E mais esse elemento externo – sei lá, talvez seja o ar – que une [todos os ingredientes em uma massa homogênea

domingo, 2 de janeiro de 2011

Importante reflexão de Ano Novo

Virada de ano é sempre época de olhar para si, fazer projeções e pensar sobre o que se foi e o que se é.

Interessante notar que essas reflexões de cada um são, até certo ponto, condicionadas pela cultura e a geografia de quem reflete. Duvido, por exemplo, que alguém em pleno frio europeu seria capaz de fazer o raciocínio que eu fiz.

No dia 1º de janeiro de 2011, eu estava em Novo Hamburgo, na grande Porto Alegre. Fazia calor. Lancei um olhar suado para mim mesmo e vi meu chinelo de dedo. Especificamente, vi aquela parte que segura o chinelo no pé e dá estabilidade. Aquela parte que fica ao lado do dedão, pregada à sola. (Quando o chinelo arrebenta, essa parte fica literalmente pregada.)

Percebi que entre o dedão e o indicador (o segundo dedo do pé também se chama indicador? Mas vai indicar o quê com o pé?!), o vão é maior do que entre os outros dedos. Pode olhar para o seu pé agora mesmo para comprovar. Se você for ser humano, claro.

A questão que me ocorreu é: será que o inventor do chinelo decidiu colocar essa parte ao lado do dedão (e não entre outros dedos) por ser esse vão naturalmente maior no pé do ser humano? Ou a escolha foi arbitrária, e o vão é maior justamente pelo nosso costume de usar chinelo?

É tipo a história do ovo e da galinha, mas pode ser que para essa questão do chinelo de dedo haja uma resposta histórica. Se você souber, por favor, diga!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Eu

Não aspiro à perfeição

Não busco o auge absoluto

Especulo sobre o que sou e serei...

Refletindo, percebo o lógico:

sou imperfeito

(Humano, acima de tudo)

Se às vezes sou insano e problemático

é porque penso e ajo de acordo

com a ideia de humanidade

que os homens criaram


Sou único e sou comum

Sou exclusivo e sou incógnito

Sou eu e não deixo de ser aquele

Mas, para mim, continuo sendo eu

VIVO

Magnitude de ser e existir,

Viver pensar sentir

E escrever...

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Mudanças

Este blogue, não sei se você se lembra, surgiu para contar a amigos e familiares alguns episódios marcantes do meu intercâmbio na Alemanha, entre agosto de 2008 e abril de 2009. Eram relatos escritos logo após os acontecimentos, muitos deles em tom de humor (e relê-los me fez rir por umas boas duas horas esta manhã). No fim, o estilo engraçado dos textos acabou atraindo outros leitores, que não me conheciam, e que passei a conhecer através da internet.

Mas nem tudo é alegria neste mundo, e com a volta ao Brasil eu precisei dar uma nova cara ao blogue, por motivos óbvios. Decidi transformá-lo num portifólio profissional, um espaço para agrupar minhas reportagens e também para narrar pequenos bastidores da minha profissão - jornalista. Afinal, um blogue que me gerou tantas alegrias não poderia ser jogado fora de uma hora para outra.

(Sobre isso, me ocorreu outro dia o pensamento de que blogues são como bichinhos de estimação. Nós os adoramos no início, quando são fofinhos e brincalhões, mas depois vão crescendo e perdendo a graça. A diferença é que o filhote acompanhará você por pelo menos 10 anos, fazendo cocô e xixi pelos cantos, até morrer de causas naturais. Já o blogue segue você por tempo indeterminado - provavelmente você morrerá antes do blog -, e só acaba mesmo se for vítima de abandono ou maus tratos.)

Pois agora eu decidi fazer uma nova mudança, e acredito que seja para melhor. Passarei a publicar aqui também textos ficcionais, como contos, crônicas, minicontos e poemas. Resgatarei alguns textos antigos que estavam numa pastinha preta aqui em casa, pastinha essa fechada há anos. Também usarei este espaço para divulgar a minha produção literária recente, pois voltei a escrever ficção este ano (2010). O AugustFest não perderá o foco, apenas terá mais coisas. Continuarei lincando aqui minhas reportagens e outros textos, farei comentários (alguns sagazes, outros inúteis) e porventura serei engraçado.

Para marcar essa nova fase, publico aqui um pequeno metapoema sobre a vida literária. Eu o escrevi no auge dos 16 anos, quando as espinhas brotavam na cara na mesma frequência com que surgiam minhas primeiras desilusões com concursos literários (mesmo que eu tenha sido selecionado em alguns). Ei-lo.

***

Texto para concurso

Este poema pode parecer ruim, muito ruim, horrível

Na verdade, é bom, muito bom, excelente

E cumpre o seu papel mais importante:

Mínimo de cinco versos

Em espaçamento mais-que-duplo

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Os beats: autodestrutivos, porém imortais

A edição número 17 da revista Norte sai com um texto meu sobre o livro "Os beats - graphic novel". Nesse texto, eu decidi ousar um pouco e acabei fazendo uns experimentos para ressaltar o conteúdo do livro na forma da resenha. Se funciona ou não, você mesmo pode dizer. A edição está disponível online logo abaixo. Meu texto está na página 27.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

5 depoimentos sobre charges

Produzi para a revista Continuum, do Itaú Cultural, uma matéria com o depoimento de 5 chargistas brasileiros a respeito da charge no século 21. Abaixo segue breve descrição, com o link para você ler os depoimentos.

"Vinte e cinco anos após o fim da ditadura no Brasil e tendo a política em voga com o período de eleições, a Continuum propôs a cinco chargistas brasileiros a seguinte reflexão: 'Sem ditadura e sem censura, para onde se volta o chargista político hoje?'

As respostas são tão variadas quanto os perfis dos chargistas: veteranos como Ziraldo, Santiago e Luis Fernando Verissimo aparecem ao lado de João Montanaro, que aos 14 anos de idade assina a charge política do jornal Folha de S.Paulo. Também há depoimento de Elias Monteiro, chargista do jornal Diário de Santa Maria, interior do Rio Grande do Sul. Eles contam sobre o que você vai rir - ou chorar - amanhã."
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