segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Aldeia Global

Não faz muito, em junho, enquanto flanava pelas ruas de Paraty, RJ, dias antes da famigerada FLIP começar, conversei com muita gente e conheci muita história bacana. Nessas horas de bate-papos despreocupados, apesar do estado de relaxamento em que me encontrava, meus ouvidos de jornalista estavam sempre atentos a qualquer possibilidade de pauta.

Foi assim que um dia, por acaso, fiquei sabendo duma história no mínimo inusitada: que uma professora licenciada em informática estava traduzindo o BrOffice (versão brasileira e aberta do Word) para a língua dos índios.

Considero esse um achado. Mesmo. Porque essa professora não divulga seu trabalho. Porque sequer seus colegas mais próximos sabiam disso. Eles reagiam surpresos quando eu contava: "O quê? A Gilmara está traduzindo um software pro guarani???"

Claro que desse estopim inicial que foi a ideia da pauta até a versão final, que acaba de ser publicada (veja abaixo), houve muita apuração, pesquisa de novas fontes, entrevistas conseguidas a fórceps e tudo que costuma pertencer à rotina jornalista. Mas esse imenso trabalho só foi possível por causa da conversa que tive por acaso com a Gilmara, num dia em que dividimos um táxi para voltar da Associação Cairuçu (onde ministrei uma oficina de quadrinhos) até a cidade de Paraty. É por isso que dedico essa reportagem a ela.

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"Aldeia Global

Em Paraty Mirim, RJ, localizada a cerca de meia hora de Paraty (a cidade da FLIP), uma comunidade indígena vive as primeiras experiências de conexão com a internet.

por Augusto Paim

Choveu bastante entre os dias 7 e 8 de julho, o final de semana da Festa Literária Internacional de Paraty, e por isso os ônibus que iam para Paraty Mirim tiveram que permanecer na garagem da empresa. Em momentos como esse, bastante comuns, a aldeia fica isolada, e a comunicação só pode ser feita pelos telefones celulares e, recentemente, pela internet."

[continue lendo].

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Atlas literário-geográfico

Eis um assunto pouco divulgado, infelizmente: o IBGE produziu uma série chamada Atlas das Representações Literárias de Regiões Brasileiras. Leia o trecho do já antigo press release:

"Em 2006, com o lançamento do volume Brasil Meridional, o IBGE deu início à coleção Atlas das representações literárias de regiões brasileiras, que tem por objetivo identificar e representar, através de mapas em diferentes escalas, fotos e imagens de satélite, regiões brasileiras que constituíram elemento marcante da trama de algumas das grandes obras da Literatura nacional, construindo, dessa forma, um mapeamento onde a identidade é o elemento central para individualização dos diferentes segmentos territoriais que compõem o quadro nacional."

Aqui é possível acessar, gratuitamente, o volume 1, sobre o Brasil meridional. Já o volume 2, sobre o Sertão, está disponível aqui. Divirtam-se!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

A capa das capas

Eis um trabalho especial. Começou como uma reportagem relativamente simples sobre capas de livros, pauta que eu mesmo ofereci como uma das matérias que integrariam o conteúdo da terceira edição da Revista Pessoa. Durante o desenvolvimento da reportagem, porém, ela foi crescendo de importância, crescendo, crescendo... Acabou virando a matéria de capa!

(Um detalhe que me deixa muito contente e que não pode ser percebido pelo leitor: as duas frases estampadas como manchete - "A capa é o rosto do livro. Ela pisca para o leitor" - eram o subtítulo da minha reportagem.)

Folheie. Leia. Sinta.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Aproximações entre a Palestina e o Rio de Janeiro

Com muito orgulho, divulgo aqui a minha colaboração com o instituto Melton Prior, localizado em Düsseldorf, na Alemanha. Escrevi para eles um relato sobre o processo de produção da reportagem em quadrinhos Inside the Favelas, relacionando a minha experiência nas favelas do Rio de Janeiro com as de Joe Sacco na Palestina. O ensaio, em inglês, pode ser lido na seção de notícias do site do instituto. Tem que procurar pela data de publicação: 3 de junho de 2012.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Proeza com a "Proa"

Com muito orgulho, mas muito orgulho MESMO, divulgo aqui uma revista que é mais do que uma publicação - é o ponto de encontro de inúmeras histórias e da minha própria história pessoal.

Deixa eu explicar desde o começo. Entre 2003 e 2007, cursei a faculdade de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), experiência acadêmica e de vida da qual sou muito grato. Entre as  pessoas importantes que conheci nesse período, está o professor Paulo Roberto de Oliveira Araujo, responsável pela minha formação em Jornalismo Literário. Tornamo-nos amigos, o que considero uma evolução natural de uma relação bem-sucedida entre aluno e professor. Mais do que isso, também desenvolvemos projetos juntos. O principal deles foi a criação das disciplinas complementares de Jornalismo Cultural e Jornalismo Literário, ofertadas aos estudantes da Facos/UFSM. Tive a oportunidade de conceber, na condição de monitor, o programa das duas disciplinas, junto com o Paulo. Também em parceria, montamos os cronogramas, preparávamos o material para uso dos alunos e avaliávamos cada aula.

Pois bem. Quando me formei, passei o bastão da monitoria para os colegas que vieram depois. A continuidade foi garantida, principalmente graças ao engajamento do Paulo. E eis que, passados já cinco anos da minha formatura, recebo aqui na minha casa, em Porto Alegre, esta revista aqui:


(Obviamente, recebi um exemplar impresso...)

Trata-se da edição zero da Revista Proa de Jornalismo Literário, editada pelo Paulo com a professora Viviane Borelli e a equipe de alunos.

Fico imensamente orgulhoso por ter sido citado no editorial, e muito lisongeado com a publicação de um conto meu - Para cima o santo não ajuda -, que aparece em destaque já nas primeiras páginas. Para mim, a revista representa não só o esforço pró-Jornalismo Literário do Paulo e seus monitores, mas também coroa essas relações de confiança e afeto que são intrínsecas às melhores experiências.

Recomendo a revista a todos os que lêem este blog e parabenizo imensamente ao professor Paulo pela proeza. Agradeço ainda pelo espaço e, principalmente, pela amizade.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Entre quadrinhos e traduções

Divulgo aqui uma entrevista que adorei responder. As perguntas são de Rodrigo Casarin e Alberto Naninni, para o blog Canto dos Livros. O tema: tradução, quadrinhos, jornalismo etc.

Leia a entrevista aqui!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Psicose

Ontem estive na plateia de um evento em que falava o professor Oswaldo Lopes Jr., um aficionado por cinema, quadrinhos, literatura e fotografia. Em suma, por tudo que há!

A fala dele girou em torno de adaptações de uma obra para diferentes linguagens. Reproduzo aqui um trecho que me parece exemplar. O professor falava de Psicose, filme de Hitchcock que é baseado num romance de Robert Bloch, que é baseado numa história real ocorrida nos Estados Unidos.

Esta é a cena clássica do filme de Hitchcock, de 1960:



Impactante ainda hoje!

Pois o professor Lopes trouxe o livro de Bloch. Fiz questão de copiar um trecho. Veja a mesma cena como ficou em prosa:

"Mary giggled again, then executed an amateurish bump and grind, tossed her image a kiss and received one in return. After that she stepped into the shower stall. The water was hot, and she had to add a mixture from the COLD faucet. Finally she turned both faucets on full force and let the warmth gush over her.

The roar was deafening, and the room was beginning to steam up.

That's why she didn't hear the door open, or note the sound of footsteps. And at first, when the shower curtains parted, the steam obscured the face.

Then she did see it there -- just a face, peering through the curtains, hanging in midair like a mask. A head-scarf concealed the hair and the glassy eyes stared inhumanly, but it wasn't a mask, it couldn't be. The skin had been powdered dead-white and two hectic spots of rouge centered on the cheekbones. It wasn't a mask. It was the face of a crazy old woman. 

Mary started to scream, and then the curtains parted further and a hand appeared, holding a butcher knife. It was the knife that, a moment later, cut off her scream.

And her head."

Assim, subitamente, termina o capítulo. Que dizer...? A prosa é tão impactante, tão bem feita quanto o filme. Dá para entender de onde Hitchcock retirou elementos para fazer a cena que se tornou um clássico da história do cinema.

***

Em tempo. Se é para citar Robert Bloch como musa de Hitchcock, não posso esquecer de também mencionar Ed Gein, o homem que inspirou tudo isso.