domingo, 28 de junho de 2009
Essa música é nossa!
A apuração foi muito árdua, demorada, principalmente porque eu queria fugir dos exemplos clássicos de versões da bossa nova. Deu trabalho a pesquisa, mas rendeu uma série de pérolas. Descobri música gaúcha em alemão, "Bate forte o tambor" do Carrapicho em russo e "Asa Branca" em inglês, dentre tantos outros. Por isso, essa reportagem também foi muito divertida de fazer.
Pois bem, finalmente ela ficou pronta e está no ar, no site do Itaú Cultural. O texto começa assim:
Em 1966, Chico Buarque ficou conhecido ao ganhar o Festival de Música Popular Brasileira, transmitido pela TV Record, com a canção A Banda. A ditadura militar contextualizava e dava sentido à letra dessa música.
No fim da década de 1960, a cantora francesa France Gall ficou conhecida na Alemanha com vários hits, entre eles uma versão alemã de A Banda. Chama-se Zwei Apfelsinen im Haar, traduzindo: "Duas laranjas no cabelo". (...)
Continue lendo, se quiser, cutucando aqui!
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Mais faceiro que guri de bombacha nova
"Queridos,
Escrevi um perfil do Augustóteles para o blog do Rumos: http://rumos2009.wordpress.com/2009/06/11/galeria-de-personagens-rumos-augusto-paim/
Espero que todos curtam, e que estejam bem!
Beijos
r."
"r." é Reuben da Cunha, meu ex-(e sempre atual)colega no programa Rumos de Jornalismo Cultural do Itaú Cultural. Jornalista, escritor e mestrando em literatura na USP. Dono de um texto cheio de sacadas, que ele usou contra mim, a meu favor. Por isso estou orgulhoso.
Se sou jovem demais para merecer um perfil, o texto primoroso do Reuben ao menos vale a leitura. E este blog é citado por lá, por isso a divulgação do perfil também por aqui.
Bem, se um dia me pedirem portfólio ou currículo, mando só o texto do Reuben e já deu pra bola.
Agora vou sair da internet e tomar um mate, faceiro, faceiro, me imaginando um guri já graúdo, pois tenho perfil e tudo o mais...
quarta-feira, 10 de junho de 2009
O tempo faz a música
Pois bem. Após a viagem a Karlsruhe, onde visitei o Centro de Mídias e Arte Eletrônica para o Itaú Cultural, voltei com uma pauta para uma reportagem. Ofereci ao jornal. Eles toparam. E foi então que eu fiz A Minha Primeira Reportagem em Alemão. Assim, com iniciais em maiúsculo, porque me encho de orgulho.
E eu não escrevi em português e depois traduzi: rascunhei a reportagem em alemão mesmo. Depois o texto passou pelo crivo do meu amigo e colega Manfred Fickers, que tinha facilidade, em função do seu conhecimento de latim, de entender o que eu estava querendo dizer no meu alemão à brasileira.
Ao que parece, a reportagem não foi publicada, até porque é um jornal diário e eu fiz o que se chama de "matéria fria", ou seja, sem vínculo factual, sem vínculo com a atualidade. O que tentei foi ser sensível mesmo. A história, da minha parte, me encantou.
Disponibilizo então abaixo, com muito orgulho, a reportagem "Die Zeit macht die Musik". Coloco primeiro em alemão, com as fotos. Após segue versão traduzida.
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Die Zeit macht die Musik
Text und Photos von Augusto Paim
Herzlake. Kennen Sie Elektroakustische Musik (EM)? Nein? Familie Beelmann in Herzlake auch nicht, aber ein Neffe ist berühmt dafür.
In sein Raum im Zentrum für Kunst und Medientechnologie (ZKM) im Karlsruhe arbeite Ludger Brümmer am Computer. Er macht Musik. Ohne Instrumente, ohne akustische Klangerzeuger. Die Klänge bewegen sich zwischen 47 Lautsprechern, die wie ein Kugel ausgerichtet sind. Brümmer muss diese Bewegungen kontrollieren. „Es ist als ob in einem Konzert die Musiker mit ihren Instrumenten in der Raum herumlaufen", sagt er.
Dies ist Elektroakustische Musik, ein Zweig der Neuen Musik. Sie gilt als Revolution in Theorie und Praxis. Interaktion mit dem Computer, die Verknüpfung von Musik und Video sowie artifizielle Klänge werfen die Frage auf, was wirklich Musik ist. 1952 hat der US-Musiker John Cage mit dem Lied 4'33'' diese Frage dem Publikum gestellt indem er sich vier Minuten und 33 Sekunden vor ein Klavier setzte, ohne eine Note zu spielen. Er wollte zeigen, dass Musik auch Ruhe ist, wie jeder Musikern weiß.
Aber nicht alle Musiker wissen was ist EM ist und sie müssen es auch nicht unbedingt. Wer mit ihr vertraut ist, kennt die Arbeit von Brümmer. Er hat schon viele Auszeichnungen bekommen, Werke in internationaler Zusammenarbeit produziert und auch unterrichtet. Er ist seit 2003 Leiter des Instituts für Musik und Akustik beim ZKM.
Seine Tante Margaret Beelmann, 71 Jahre alt, die in Herzlake wohnt, hatte früher oft den kleinen Ludger auf ihrem Bauernhof zu Gast. Er wurde im August 1958 in Werne, Nordrhein-Westtfalen, geboren und kennt das Emsland von Familietreffen.
„Früher war er ein Einzelgänger", erzählt sie. Er hatte auch Probleme in der Schule. Aber nicht mehr, seitdem er mit etwa 19 Jahren ein Klavier von seinen Mutter bekommen hatte. „Wir haben aber nicht viele Musikern in unsere Familie", sagt Onkel Alois Beelmann, früher Landwirt aber heute Rentner, 76 Jahre alt. „Ich weiß nicht, woher er dieses Talent hat."
Die Brüder Alois und Hermann Brümmer trafen sich häufig in Herzlake, um zusammen zu jägen. Dabei wurde Hermann von seiner Frau Klara und ihren sechs Kindern, unter ihnen Ludger, begleitet. Spielkameraden waren die Vettern und Kusinen. Ludgers Oma soll damals den Verdacht gehabt haben: „Der Junge will nur von Luft und Liebe leben."
Dazu ist es nicht gekommen. Bald gab er Jugendlichen Musikunterricht und verdiente damit Geld. Er bildete sich immer weiter fort und wurde schließlich Institutsleiter beim ZKM.
Das Ehepaar Beelmanns sitzt zusammen mit Joseph, Ludgers Cousin, vor den Computer. Zu sehen und zu hören ist Ludger Brümmers Werk „Speed", ein Video mit abstrakten Bildern verknüpft mit artifiziellen Tönen. Klang- und Bildsignale sind durch das Computerprogramm miteinander verknüpft.
„Wer hattet das gedacht, dass unsere Ludger so etwas machen würde", sagt die Tante.
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"O tempo faz a música"
Você conhece Música Eletroacústica (ME)? Não? A família Beelmann na cidade de Herzlake também não, mas eles tem um sobrinho muito famoso nessa área.
Ludger Brümmer trabalha no computador na sua sala do ZKM (Centro de Mídia e Arte Eletrônica). Ele está fazendo música, sem instrumentos musicais. Os sons movimentam-se entre 47 auto-falantes dispostos em forma de globo. Brümmer controla essa movimentação. "É como se num concerto os músicos andassem pela sala com seus instrumentos", diz.
Isso é Música Eletroacústica, um ramo da Música Contemporânea. Trata-se de uma revolução na teoria e na prática musical. Interação com o computador, junção de música e vídeo assim como sons artificiais questionam o que de fato é a música. Em 1952 o músico estadunidense John Cage propôs pela primeira vez essa questão ao público com a canção chamada "4'33''". Durante quatro minutos e 33 segundos ele sentou diante do piano sem tocar uma nota sequer. Ele queria mostrar assim que música também é silêncio, algo que todo músico sabe.
Mas nem todos os músicos sabem o que é ME e também não precisam. Mas quem conhece, conhece também o trabalho de Brümmer. Ele já ganhou muitos prêmios, tem trabalhos produzidos em parcerias internacionais e também dá aula sobre o assunto. Desde 2003 ele é diretor do Instituto de Música e Acústica do ZKM.
Sua tia Margaret Beelmann, 71 anos, mora em Herzlake e costumava receber o jovem Ludger Brümmer em sua fazenda. Ele nasceu em agosto de 1958 em Werne, no estado de Nordrhein-Westtfallen, e conhece a região de Emsland (onde Herzlake situa-se) de encontros de família.
"Antigamente ele ficava andando sozinho por aí", conta ela. Ele tinha problemas na escola. Isso até perto dos 19 anos, quando então ganhou um piano da sua mãe. "Nós não temos muitos músicos na nossa família", diz o tio Alois Beelmann, 76 anos, fazendeiro aposentado. "Eu não sei de onde ele herdou esse talento."
Os irmãos Alois e Hermann Brümmer encontravam-se frequentemente em Herzlake para caçar. Hermann vinha então com sua mulher Klara e seus seis filhos, entre eles Ludger. Os primos e cunhados eram camaradas. A avó de Ludger costumava deixar claro nesses encontros o que pensava sobre o menino: "ele quer viver apenas de ar e amor!"
Isso não aconteceu. Logo o adolescente Ludger começou a dar aulas de música, juntando assim seu próprio dinheiro. Ele continuou estudando e acabou por se tornar, bem mais tarde, diretor no ZKM.
O casal Beelmann senta-se junto com Joseph, primo de Ludger, diante do computador para ver e assistir à obra "Speed", um vídeo de imagens abstratas e sons artificiais. A autoria é de Ludger. O som foi transformado em sinais visuais por meio do computador.
"Quem iria imaginar que o nosso pequeno Ludger faria algo assim...", diz a tia.
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Algumas observações:
1) o título "Die Zeit macht die Musik" é uma referência a uma expressão muito usada na Alemanha, "der Ton macht die Musik", ou seja, "o tom faz a música".
2) eu passei algumas horas na fazenda dos Beelmann, inclusive almocei com eles. Faz anos que Ludger não dá as caras por lá, em função de compromissos profissionais que todo mundo entende. Eles pouco sabiam do que o sobrinho fazia e esse foi o argumento principal da pauta: "existe uma família em Herzlake que tem um sobrinho muito famoso, mas famoso por algo que ninguém conhece, nem eles." Sendo assim, eu tive que atualizar a família dos trabalhos do sobrinho e uma das experiências mais bacanas foi justamente quando liguei o computador diante deles e apresentei o que Brümmer andava fazendo. Eles ficaram encantados, mesmo sem entender bulhufas. Duvido que uma obra de arte contemporânea provoque tanta comoção quanto a que a do sobrinho causou neles.
3) a matéria era um pouco maior e foi editada para caber no espaço do jornal, procedimento comum em redações. Com isso alguns trechos importantes foram retirados, o que modificou o ritmo da matéria, o fluir dela, o que é facilmente percebível em alguns trechos. Também vejo que a tradução para o português deixa algumas partes meio bobas. Bem, faz parte do processo.
4) vamos às legendas das fotos: a primeira mostra Ludger em 2009 numa sala no ZKM, onde dá para ver um modelo reduzido da estrutura dos auto-falantes dispostos em forma de globo; na segunda, tirada alguns dias depois desse meu encontro com Ludger no ZKM, a tia dele me mostra, na fazenda em Herzlake, fotos da família; a terceira foto é do túnel do tempo, o jovem Ludger dançando com a tia Margaret; a quarta foto, tirada por mim quando da apuração, mostra o tio Alois na fazenda, especificamente na pracinha, onde hoje a nova geração da família se diverte.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Música gaúcha em alemão
Traduzir música regional é tarefa árdua. Ainda mais em se tratando do linguajar gaúcho, praticamente indecifrável em outros estados, que dizer em outros países, em outros idiomas. Mas Harff explica como resolveu a questão: "quanto ao vocabulário, tudo que é nome próprio permanece no original. O show acompanha um glossário para as pessoas entenderem o significado dos nomes."
Abaixo segue a versão "Klang aus Alegrete", que Harff gentilmente autorizou publicar aqui no AugustFest. Para quem não conhece a música, logo depois da versão em alemão segue versão em português do músico Renato Fagundes. A original chama-se "Canto alegretense" e é um ícone da música gaúcha.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Palavrascomplicadasemalemão
Como Lenara mesmo diz, trata-se de "um dicionário com palavras que gostaria de ter aprendido em algum lugar antes de começar meu curso. Se alemão já é difícil, o jargão acadêmico é pior ainda!"
Em tempo: Lenara está fazendo doutorado na famosa Universidade de Frankfurt, na Alemanha.
Cutuque aqui para ler o post dela.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Petiscos musicais
A matéria será publicada daqui a alguns dias e eu a lincarei no Augustfest. Por hora, deixo de petisco duas das pérolas que encontrei. A primeira é um exemplo de versão bem feita. "Asa Banca", em inglês, cantada por David Byrne:
A outra, bizarra, é uma versão "Família Adams fazendo veraneio", em russo, da música "Bate forte o tambor", do grupo Carrapicho.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Tantas emoções na volta ao Brasil
Ontem entrevistei o grande, o maravilhoso, o famigerado, o magnífico (cover do) Roberto Carlos. A entrevista foi na não menos celebrada Niterói (na verdade, estive no cover do ponto turístico carioca. A entrevista foi em Niterói, bairro de Canoas, na grande Porto Alegre).
No fim, Carlos Alberto da Silva cantou uma música só para mim:
Segundo meu amigo Fabiano Flores, fã do Roberto Carlos, a entrevista poderia ter encerrado com esta fala: "São tantos alemães..."
Carlos Alberto da Silva é cover do Roberto Carlos há 12 anos. Participou de concurso de melhor cover do Rei no Caldeirão do Huck e já esteve duas vezes no Faustão (como ele é magrinho, coube no palco). Creio porém que sua maior honra foi essa entrevista que me concedeu e que vai ao ar no programa Diverso, da Rede Minas.
Conheça (ou contrate) o clone do Rei cutucando aqui!
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Depois da volta repentina da Alemanha, fiquei certo tempo de molho pensando em o que fazer com este blog, o Augustfest (vai que você achasse que está em outro blog!). Na verdade não fiquei pensando só nisso não, eram várias coisas a serem pensadas, mas essa foi uma. Enfim, este blog existe há apenas oito meses e já tem muita história. Mesmo que eu não tenha mais como relatar minha experiência de intercâmbio, acredito que seria muito triste deixar o blog para trás.
Com isso decidi que o Augustfest vai relatar agora qualquer tipo de experiência. Bastidores de reportagens que eu fizer, situações engraçadas que eu empreender ou perceber, e por aí vai. O estilo seguirá o mesmo de todos os posts que fiz até agora. E se por acaso eu voltar à Alemanha algum dia, vocês perceberão que o blog não vai ter mudado muito.
É isso. Espero que o blog siga com os leitores de antes. Senão vou achar que o povo estava interessado na Alemanha mesmo, não nas minhas histórias.
Grande abraço!