sexta-feira, 29 de agosto de 2008

48 horas em Amsterdam

Cheguei na capital da Holanda na quarta-feira, 8 de agosto de 2008, perto do meio-dia, moído da longa viagem de avião, dos percalços do caminho e do fuso horário. Tinha ainda uma série de desafios pela frente, já que era a primeira vez que eu precisava me virar só com meu inglês numa viagem. Eu só falava inglês até então em sala de aula.

Mas deu tudo certo. Consegui pegar minha mala e coloquei-a num armário. Para passar dois dias em Amsterdam, precisava só de uma mochila. Peguei um trem pro centro da cidade. Uma foto que tirei lá registra um pouco da sensação de chegar num lugar pela primeira vez:


Desci na estação central e já vi paisagens como estas:



Agora eu precisava chegar até o albergue que eu havia reservado. Essas coisas parecem tudo muito simples, mas, quando se está na situação de intercâmbio pela primeira vez, tudo é um desafio. Bem, desse desafio eu dei conta. Cheguei no albergue e nas duas horas seguinte só quis saber de dormir.

Acordei quatro e pouco da tarde e fui caminhar no Vondelpark. Lindo o lugar. Muita gente caminhando, passeando, descansando, andando de bicicleta, fumando marijuana e ninguém fazendo sexo em local público.



Depois comecei o reconhecimento da cidade. Caminhei para caramba até entender onde ficava cada coisa, as opções que eu tinha. Amsterdam é uma cidade cheia de cultura, tem museu e galeria de arte em tudo que é canto. E tudo antigo, carregado de história.


Os canais, cortando a cidade, também chamam a atenção. E as bicicletas!


Descobri surpreso que em agosto tem sol até umas 9 horas da noite em Amsterdam. Fiz uma refeição bem boa, assisti um povo fazendo dança de rua e, parando na frente dum restaurante indiano, um paquistanes chamado Raja, que trabalha no lugar, puxou conversa comigo. No fim fizemos amizade e no outro dia passei lá novamente para conversarmos.


Na quinta-feira de manhã, 7 de agosto, comprei um I amsterdam card. É um cartão que dá entrada livre em uma série de museus da cidade, além de transporte público gratuito e ilimitado, sem falar em descontos em alguns restaurantes e uma passagem de barco grátis pelos canais de Amsterdam. Dá para usar por 24h, 48h ou 72h. Eu só tinha mais um dia em Amsterdam, portanto comprei o primeiro, por 33 euros. Dois museus visitados e esse valor já estava pago.



Comecei pelo Rijksmuseum. Dei sorte. Além da exposição permanente com peças e informações sobre a história da Holanda, havia também uma exposição com as obras de Rembrandt. Originais!

Não dá para tirar fotos dentro do museu, portanto só tenho imagens do exterior, que já é belíssimo.


Saí de lá e fui no Van Gogh Museum. Em todos os mais famosos museus de Amsterdam fica-se um tempo na fila, há muita procura. Chovia. Bem turista, comprei um guarda-chuva do Van Gogh. Enquanto esperava, tirei estas fotos de reproduções das telas:



Lá dentro tive a oportunidade de ver todas essas obras no original.

Na hora de ir embora, chovia pra caramba, e eu me ensopei. Fiz uma gravação de poucos segundos para registrar o movimento na rua. Por quê?¨Porque sempre me parece que as fotos não registram bem o contexto de uma viagem. As fotos (ou o fotógrafo) registram sempre e apenas o melhor da viagem, apenas um instante congelado, o que deixa tudo muito irreal. Bem, um dia de chuva em Amsterdam é assim:

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Peguei o tram (bonde elétrico) e desci no centro. Passeei ao léu. Agora não chovia mais. Seguindo o instinto masculino, fui parar no Red Light District, o famoso bairro de prostituição de Amsterdam. Bem, “luz vermelha“ já diz tudo. Corre um boato que diz que os seguranças atiram as máquinas fotográficas no rio, se alguém tenta fazer uma foto. Eu não quis testar. Em todo caso, vi as famosas mulheres nas vitrines. Depois entrei no Erotic Museum (esse não aceita o I amsterdam card), que, mais do que qualquer sacanagem, é um museu sobre a história do erotismo no mundo. Não tirei fotos.

De lá, caminhei até a estação central e em frente peguei o barco que cruza por uma hora os canais de Amsterdam. Tudo muito turístico, mas isso é importante numa primeira visita à cidade. Algumas fotos do passeio:


Depois fui no Foam Photography Museum, um museu sobre fotografia. Ironicamente, não tirei nenhuma foto. De lá, fui ao centro, jantei. Na rua, vi uma cena singela, uma gurizada fazendo mudança. Como fiz duas em pouco mais de um ano, achei aquilo interessante. Afinal, entâo, vive-se em Amsterdam como se vive em Porto Alegre.


Fui então conversar com o Raja, trocamos contatos. Foi um dia cheio. Voltei pro albergue.

Na manhã seguinte, peguei o trem rumo à Alemanha, para morar lá por um ano.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

A viagem, que quase não aconteceu

Este blog começa pelo começo: a viagem.

(Ou talvez esse já seja o meio, e o começo tenha sido minha decisão de fazer intercâmbio. De qualquer forma, não lembro bem desse momento. Quando vi, já estava aqui.)

Enfim, vôos de avião são só vôos de avião. Mas quando se está viajando pela primeira vez para um lugar que fica há mais de 8 mil quilômetros da sua casa, e quando se pretende ficar lá por um ano, tudo adquire outro sabor. Além disso, essa parte da viagem me reservou momentos a mais de adrenalina. Já chego lá.

Embarquei no dia 5 de agosto de 2008, terça-feira, 10h10 da manhã, no aeroporto internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, RS, Brasil. Depois de uma semana de despedidas de amigos e família, e depois de algumas horas de choro e mais despedida no aeroporto, entrei na sala de embarque. A partir daí, estava sozinho. Eu por mim mesmo.

Voei até o aeroporto de Guarulhos, SP. Um vôo doméstico, normal. Fiz este pequeno vídeo quando estava no ar. Acho que registra bem a sensação de voar de avião.


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Desembarquei em São Paulo, peguei minha bagagem, fiz meu check-in na empresa Alitália e fui tomar um cafézinho. Minutos depois, caminhei até a sala de embarque. O funcionário que controla a entrada olhou minha passagem com cara estranha, mas antes de eu perguntar qualquer coisa, disse pra eu ir adiante. Não dei muita importância ao caso. Sentei próximo ao meu portão, fiquei lendo um livro. Passava o tempo. Nenhuma movimentação de funcionários no local de embarque.

Levantei e fui escovar os dentes. Lá aconteceu comigo aquilo que tanto medo dá em quem viaja de avião: me chamaram no autofalante. Isso já tinha acontecido comigo uma vez, em Porto Alegre, mas era um problema bobo, um documento que esqueceram de me entregar. Agora, porém, faltava apenas meia hora pro horário previsto do vôo. Com certeza, tratava-se de algo sério.

Fui rápido até o local em que me chamavam. O funcionário disse: “não é aqui não que o senhor tem de ir. Aqui é o embarque doméstico, o senhor tem de ir no internacional. Corre lá que senão o senhor vai perder seu vôo.”

Pronto, começou a correria. Saí da sala de embarque, subi um andar, entrei agora na porta certa. Quando cheguei, uns três funcionários me olharam feio e disseram: “Senhor Augusto? Tem 300 pessoas esperando só pelo senhor para decolar.” Um deles disse no walk-talk: “cancela o extorno de bagagem. O passageiro encontra-se na sala de embarque.”

Corri mais uns 200 metros. Rasos. No caminho, mais funcionários me diziam: “corre, senhor Augusto. O senhor vai perder o avião.”

Bem, o resto é mais simples de contar. Cheguei suado, sentei na minha poltrona e descansei. Ou tentei. A poltrona era terrível. Decidi ver um filme. Em poucos minutos, a tevê que havia na minha poltrona pifou. Falei com três aeromoças, elas diziam que dariam um jeito. Não deram. Onze horas de vôo e eu era o único no avião sem um filme pra me entreter.

À certa altura (de tempo e de distância do solo), uma senhora isralense, que mora no Brasil há tempos e fala português, puxou conversa comigo. Isso ajudou a passar o tempo, mas não muito. Só ela falava.

Cheguei na escala em Roma. Eis uma foto que tirei de dentro do aeroporto, para registrar o glamour de estar na Itália:



O glamour acabou em seguida: uma hora de fila na alfândega. Peguei um avião que lembrava um ônibus. Ao meu lado, um menino italiano lia A cidade do sol, de Khaled Hosseini. Devia ter uns 12 anos, o menino. Magro, trejeitos engraçados, miniatura de adulto, um esterótipo de garoto italiano. Pegou no sono e dormiu com a cabeça no meu ombro. Uma cena singela. Dez minutos depois, porém, eu praticamente não tinha mais meu assento. O menino me acotovelava, em meio ao sono, para conseguir mais espaço. Sorte que a aeromoça trouxe a comida.

É isso. Viajar de avião não traz nenhum glamour. Nem mesmo em viagem internacional.

Bem, minha chegada em Amsterdam eu conto em outro post.