quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Feliz 2010 aos jornalistas!

Para um jornalista, não há presente mais valioso que a informação. Por outro lado, fica muito difícil escolher qual informação dar como presente para alguém que está tão acostumado a trabalhar com elas. Pois acho que eu tenho a solução: a informação que falta à maioria dos jornalistas é relacionada à própria profissão.

Aqui vão então dois linques que podem ajudar o jornalista 2010 a se sentir mais usufruidor dos seus direitos que o jornalista 2009:

- Tabelas profissionais. Isso é algo para ficar sempre de olho. Quando, como freelancer, você for negociar com um veículo o valor do frila, é muito bom ter em mãos esse valor de referência sobre quanto custa uma pauta, quanto cobrar por uma matéria com uma fonte, um trabalho de assessoria etc. Todos os sindicatos possuem essa tabela de referência. Linco aqui a tabela gaúcha.

- Direito autoral do jornalista. Pois você sabia que reportagem é propriedade intelectual, assim como ilustração e obras artísticas? E que você não precisa fornecer nota fiscal para isso, basta uma licença de uso para finalidades específicas (e nada de contratos abusivos de cessão TOTAL dos direitos). E o melhor de tudo: há uma associação criada justamente para defender nossos direitos enquanto autores e trabalhadores autônomos, direitos esses amplamente lesados no convívio com veículos semi-profissionais. Por isso, é bom devorar o conteúdo do site da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual dos Jornalistas Profissionais, a Apijor.

Mais do que defender interesses de classes e se sindicalizar, estar atento aos conteúdos disponibilizados por sindicatos e associações profissionais permite ao jornalista o acesso à informação. E, como todo bom jornalista sabe, estar informado é o melhor jeito de exercer a profissão, tanto no relacionamento com fontes, quanto no saudável relacionamento com patrões.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Observando o Observatório

Eu zapeava páginas de internet, quando de repente dei de cara com um texto meu (esse de dois posts abaixo), sobre algumas questões da profissão do jornalista. Foi então que descobri que esse texto meu foi parar no site do Observatório de Imprensa. Cutuque aqui para ver.

Curioso, eu nem fazia ideia que seria publicado, ninguém me contatou para isso. O texto sofreu também algumas pequenas edições. Pequenas mesmos, daquelas que só o autor percebe.

Bem, vale pela divulgação da causa, que, se não é bela, pelo menos é nobre.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Fröhlich, happy, feliz!

Coisa boa quando você trabalha arduamente num projeto durante meses, e ele é reconhecido. Ainda mais quando você trabalha como tradutor, produtor de evento, curador, assessor de imprensa e por aí vai, tudo ao mesmo tempo.

"Você" é força de expressão. O que eu quero dizer, de uma maneira bem antibudista, é "eu". Ou "nós", porque nunca se faz nada sozinho nessa vida. Sozinho é apenas quem acha que faz tudo sozinho.

Mas "você" entende isso tudo o que eu estou querendo dizer ao ler o antepenúltimo parágrafo desta reportagem na Rolling Stone Brasil. Claro que pode ler toda, também. E ler o livro que eu traduzi, claro!

Se ler não bastar, você pode ver fotos da função toda aqui!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Glória e glamour, as moedas do jornalista

Certa vez ouvi num congresso a célebre expressão "síndrome da sobreloja" pra explicar algo que acontece com frequência entre jornalistas: "começou a subir, começa a dar uma vertigem..." Sim, o sucesso facilmente sobe à cabeça.

Por outro lado, eu tenho acompanhado um processo perverso alimentado pela mesma dinâmica, mas por parte das empresas. É comum (não só comigo) receber propostas de jobs num valor abaixo do previso pelo sindicato dos jornalistas profissionais do RS (vide tabela, algo que todo jornalista deveria ver, por respeito a si mesmo e à profissão). Acompanhado do valor pífio (que às vezes me dá vontade de ser marceneiro ou pintor ou montador de móveis, que dá muito mais dinheiro), vem a seguinte frase: "mas o trabalho é pra revista/editora/empresaX, o que é muito bom para o currículo..."

Se essa ideia pudesse ser usada em outros campos das nossas relações, seria muito boa. Eu adoraria chegar pra empresa de energia elétrica e dizer: "quem sabe vocês me liberam de pagar a conta, já que eu sou jornalista da revista/editora/empresaX...?"

Tanto há jornalista que vive de glamour quanto há empresas que querem pagar jornalistas apenas com glamour. Daí que jornalista que tem consciência do valor do seu trabalho e das contas a pagar, se vê em maus lençóis.

***

Uma outra questão interessante da profissão ligada ao mesmo tema: há dois anos, fui entrevistar um conhecido jogador de futebol. Conhecido mesmo. Não cito nomes para evitar constrangimentos.

Bueno, fui quatro vezes na mesma semana, quatro dias seguidos, até o estádio, pegando dois ônibus na ida e dois na volta, na tentativa de chegar até o bendito craque. No primeiro dia, depois de duas horas de pé esperando acabar o treino, consegui o contato com ele praticamente me jogando na frente do carro (não lembro a marca, mas era um carrão). O craque pediu para eu falar com o assessor dele.

No segundo dia, vacinado, combinei tudo com o assessor, antes de ir. Cheguei lá, faceiro e nervoso ao mesmpo tempo. Mas vamos que vamos. Aí, depois dos dois ônibus para a ida, chego lá e o assessor me diz: "bah, hoje não vai dar, o craque vai concentrar agora há pouco... você vem daqui dois dias!"

O assessor tinha meu número de celular e não ligou para avisar. Peguei mais dois ônibus e voltei para casa.

No terceiro dia, tentei conseguir credencial pra ir no estádio como imprensa para fazer imagens do craque jogando uma partida oficial. Peguei dois ônibus. Era noite. À tarde, os responsáveis pelo credenciamento me mandaram ir até o estádio, que lá dariam um jeito. Chegando lá, fui barrado. Nem na arquibancada eu poderia ficar. Só pagando ingresso.

No quarto dia, peguei dois ônibus pra ir, cheguei ao estádio, o assessor e o craque estavam me esperando. Fiz a entrevista com o assessor me cochichando no ouvido: "só mais duas perguntas, só mais duas!" O craque deu um depoimento de merda, que não acrescentou em nada, tão acostumado que estava a dar as mesmas entrevistas o dia inteiro.

Peguei dois ônibus para voltar para casa. A princípio, tinha um material glamouroso: uma entrevista com um craque. Mas o craque saiu com um carrão depois de duas horinhas de treino, provavelmente pararia num restaurante para jantar. Eu cheguei em casa depois de duas horas de ônibus e preparei um miojo na minha kitnet.

Algumas semanas depois, uma chuva me pegou desprevinido na rua, sem guarda-chuva. Me encharquei no caminho para uma entrevista com um ex-morador de rua, que ainda era índio caigangui e homossexual. A entrevista durou uma hora. Como acontece nas melhores entrevistas, havia uma empatia mútua no ar, e eu senti que estava fazendo algo muito importante para a vida do meu entrevistado. Não é toda hora que um veículo de imprensa chega até ele e pede para contar, sem cortes, a sua história de vida.

Lembro que nesse dia, saindo da entrevista ensopado, cheguei em casa feliz: tinha descoberto o que eu quero da minha profissão, da minha vida. Não quero viver de glamour. Quero sobreviver, recebendo o que for digno. E contribuir, do jeito que for possível, para algo maior.

O ex-morador de rua faleceu há alguns meses. O jogador que entrevistei está na seleção brasileira.

Eu... Pouca coisa mudou para mim. Apenas a consciência de que o jornalista é um humilde entre os glamourosos, e que não deve haver ilusão sobre isso. Quero sempre ser humilde.

E quero ser pago com dinheiro, não com glamour.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Continue criança!

Não sei se você que me lê (tem alguém aí me lendo? Se não houver, melhor: sozinho posso falar qualquer coisa!) é criança ou adulto, mas, se for criança, vai gostar de ver o hotsite que a revista do Itaú Cultural fez este mês.

Se for adulto, também.

Cutuque aqui para ver!

O site tem várias coisas interessantes pensadas especificamente para o público infantil (engloba-se aí os adultos que não cresceram). A parte que me toca (e que você pode tocar com o mouse) é a seção Enquete. O material que está lá foi operacionalizado e executado por mim, com cálculos matemáticos precisos. As respostas das crianças, bem menos caretas que um jornalista metódico, foram transcritas por mim.

Depois do orgulho de ver todo esse processo finalizado em forma de reportagem (e com alta produção), vale lembrar a singela homenagem que as crianças da escola Valentim Bastianello, em Dilermando de Aguiar/RS, fizeram para mim! São dois retornos fantásticos!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

É chato ser gostoso!

Pois não é que eu saí no jornal ao lado de Johnny Cash (que deve estar se revolvendo no túmulo... ou talvez ele nem dê importância ao fato, o mais provável, estando morto!)

Bem, eis a minha aparição, no jornal Diário de Santa Maria:

  • traduzindo cash

    Johnny Cash (1932-2003), o cara que foi o verdadeiro lado-b do country, terá sua biografia em quadrinhos lançada no Brasil em outubro. A versão nacional de I See Darkness foi batizada de Johnny Cash – Uma Biografia e sai pela Editora 8INVERSO, de Porto Alegre. O trabalho do premiado quadrinhista alemão Reinhard Kleist foi publicado pela primeira vez em 2006, na cola do lançamento da cinebiografia Johnny & June (2005). O livro abocanhou o prêmio de melhor publicação de quadrinhos alemã na Feira do Livro de Munique. Em 2007, a publicação recebeu a mesma premiação na Feira do Livro de Frankfurt.

  • Mas o legal é que a versão brasileira tem tradução do jornalista Augusto Machado Paim (ao lado), porto-alegrense formado pela UFSM. Apaixonado por quadrinhos, ele foi fazer um intercâmbio na Alemanha. Por lá, conheceu alguns quadrinhistas. Entre eles, Kleist. A tradução foi feita em três semanas.

    – Confesso que conheci Cash fazendo a tradução e me apaixonei pela obra dele. O tempo que passei na Alemanha foi muito importante para conseguir fazer essa tradução – afirma Augusto.

    O lançamento em 19 de outubro, em Porto Alegre, será promovido pela Goethe Institut da Capital e contará com a presença do autor.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Um arco-íris de idiomas...

Tem muitas coisas a serem descobertas no baú de preciosidades da Greta. Hoje, fiquei sabendo desta pérola aqui:


A banda chama-se L'Arc En Ciel. Apesar do nome francês, a banda é japonesa. E, apesar de ser uma banda japonesa e cantar a música em japonês, o refrão é em inglês.

Curioso, não? Ainda mais com um clipe tão bem feito.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Minha própria minibiografia

Pois agora eu tenho uma:

"AUGUSTO PAIM é tradutor e escritor. Nascido em Santa Maria, foi criado por lobos nas cercanias de Vale Vêneto até os dezesseis anos de idade, quando fugiu da matilha e, entrando por engano no campus da Universidade Federal de Santa Maria, acabou se formando em jornalismo. Por não ter espaço na mídia retrógrada daquela cidade, migrou para Porto Alegre, onde conseguiria uma vaga na Oficina de Criação Literária do prof. Assis Brasil por meio do uso da violência física. Denunciado para a polícia, teve que se refugiar na Alemanha, onde passou a perseguir quadrinhistas até obter informações suficientes para chantageá-los em troca dos direitos autorais de publicação de suas obras no Brasil. Faixa preta de Jiu-Jitsu, ameaçou quebrar esta editora caso não publicássemos sua biografia neste site."

Ehehehehe. Só o perfil que o Reuben escreveu sobre mim supera essa.

Ah, sim, a autoria da minha minibio é de um anônimo do século XIX.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Literatura cyberpunk

Está no ar uma de minhas últimas reportagens, uma que deu trabalho especialmente grande. Foram várias entrevistas, duas em inglês, cheias de dados, comentários e informações pra unir num texto que não ficasse cansativo de ler. Espero que o resultado tenha escondido esse trabalho todo:

O fim de um movimento que não pára
A literatura cyberpunk nasceu e morreu como gênero literário. No Brasil, a chamada tupinipunk pode até ter morrido também, mas segue ativa

Ela está por aí, apesar de já não mais existir. Está na trilogia do filme Matrix, está na moda, na cultura como um todo. Deixou de ser contracultura para ser assimilada sem restrições. "Quando a perseguição fracassa na tentativa de esmagar uma contracultura ativa, a cultura dominante tende a assimilá-la", diz o crítico cultural norte-americano Ken Goffman, em seu livro Contracultura Através dos Tempos (Editora Ediouro, 2007).

A literatura cyberpunk nasceu quebrando regras, mas segue o que diz Goffman: está disseminada em formas culturais hegemônicas, misturada com o que veio depois, como ela mesma fez com os gêneros que a antecederam. Difícil precisar os limites de quando ela surgiu nesse mundo sem gêneros, cheio de mixagens e criações recombinantes. "Há toda uma rede de referências culturais ou contraculturais da qual o cyberpunk é apenas a ponta mais ostensivamente tecnológica", diz o jornalista e escritor Alex Antunes.

O gênero floresceu durante as décadas 1980 e 1990, graças a autores como Pat Cadigan, Paul di Filippo, Tom Maddox, James Patrick Kelly, Bruce Sterling, Lewis Shiner e John Shirley, entre outros. Eles foram gradativamente modificando estilos, de modo que hoje é praticamente impossível falar em uma "obra cyberpunk" em si, mas, sim, em "influências cyberpunk".

Mas é possível estabelecer um ponto X em meio ao turbilhão. E esse ponto é o romance Neuromancer (Editora Aleph, 2009).

Para ler o resto, cutuque aqui!

domingo, 30 de agosto de 2009

Há milhões de anos...

... quando os dinossauros ainda andavam (alguns muito lentamente) sobre a Terra, eu fiz uma reportagem sobre "a hora de se desconectar". Como não há memória que resista há tantas provações, coloco aqui o link.

Também estava programada uma enquete. Perguntei, a pessoas que usam a internet profissionalmente, o que eles fazem para se desconectar, se é que sentem essa necessidade. Bueno, a enquete finalmente foi ao ar e está disponível neste link.

O legal é que você também pode deixar seu depoimento por lá.

Pode deixar por aqui também, se quiser.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

No Cash, Only Happiness

Estava assistindo ao documentário da BBC "The Last Great American", sobre o músico estadunidense Johnny Cash, quando me deparei com este clipe:



Como diria o Glênio Fagundes, é de arrepiar a alma!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Voltando a ser criança, de tão contente

No mês passado, estive no município de Dilermando de Aguiar/RS, mais especificamente na escola municipal Valentim Bastianello. Fui lá fazer uma reportagem, com os alunos da quinta série, sobre as diferenças entre a infância de hoje e a dos pais deles. O texto ainda não foi publicado (avisarei quando for). Por hora, publico aqui uma singela homenagem que recebi das crianças:







quarta-feira, 29 de julho de 2009

Classificados do Augusto

Para quem gostou da entrevista com o cover do Roberto Carlos para a Rede Minas de Televisão, estou vendendo uma preciosidade de colecionador: a câmera com a qual gravei as imagens e o áudio.

Esta aqui:

Trata-se de uma Kodak Easyshare C913, alemã, 9.3 megapixels, com cartão de memória de 2gb, comprada em abril em Berlim.



Especificidades técnicas: Kodak Easy Share C913, 9.3 mega pixels, com HD Stills, Blur Reduction, 18 Scene / 3 Color Modes, 3x optical zoom, à pilha. Acompanha cartão SanDisk de 2gb, mais cabo usb e manual multilíngue (português, inclusive). Foi comprada em abril, em Berlin, e pouco usada. Está praticamente nova. O menu tem a opção do português como linguagem.

O modelo ainda não veio para o Brasil. Só eu vim com ela, e eu não sou modelo.

Motivo da venda: eu havia estragado uma câmera da Sony que geralmente uso para entrevistas. Estragou enquanto eu estava na Alemanha, e tive que comprar essa daí para substitui-la. Chegando ao Brasil, levei o aparelho da Sony na assistência técnica. Ele estava na garantia e foi consertado, voltando a ser o número 1 (já que tenho duas baterias e dois cartões).

Enfim, a máquina é (praticamente) nova. Quem se interessar, me avise!

Eu (e o cover do Rei) na Rede Minas

LembraM (suponho que seja mais de um leitor que me lê) da entrevista em vídeo que fiz há pouco tempo com o (cover do) Rei Roberto Carlos? Se não, cutuque aqui para lembrar!

Pois agora veja como essa entrevista ficou editada dentro do programa Diverso, da Rede Minas de Televisão:



Não é porque tem gravação minha aí, mas não tem como deixar de dizer: o programa ficou de primeira! E olha que esse é só um trecho da edição, que no total tem meia hora.

Parabéns ao Léo Lopes e a toda a equipe do programa! Fiquei orgulhoso de ter participado de um material com tanta qualidade.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Desconectada fica melhor

Recebi ontem pelo correio a revista Continuum de julho/agosto. Folheei-a em busca da reportagem "A hora de desconectar", de minha autoria e que já havia saído na versão online. Tive esta grande surpresa:




Quatro páginas, com o título e a introdução sobrepostos a uma fotografia linda de André Seiti. A imagem é uma bela síntese visual da idéia da reportagem e ficou ainda mais bonita desse jeito "sangrado", ou seja, sem margens, ocupando duas páginas.

Fiquei realmente orgulhoso!

Eis agora a capa da edição, cujo tema geral é "conectividade":

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Os Beatles ainda vivem...

... mas poderiam ter morrido na Av. Paulista, em São Paulo, assim que o sinal abrisse:


Essa pérola saiu do túnel do tempo e do blog do Rumos. Cutuque aqui para ler o saboroso texto do Reuben sobre a foto.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Desconecte-se! Mas não deste blog...

A última edição da revista Continuum, do Itaú Cultural, acaba de entrar no ar. O tema de julho/agosto é CONECTIVIDADE. Eu emplaquei uma pauta na revista justamente sobre o tema oposto, a DESCONECTIVIDADE. A reportagem que escrevi intitula-se "A hora de desconectar" e começa assim:

O computador está ligado à internet. O celular jaz ao lado. O internauta já fez tudo o que tinha de fazer. É tarde, ninguém telefonará. Mesmo assim, há hesitação em desligar os aparelhos. Vai que entra um e-mail novo! Vai que há uma chamada urgente no meio da noite!

Em maior ou menor grau, a maioria das pessoas vive essas angústias na hora de se desconectar. É o momento de dar as costas a um mundo cheio de oportunidades, contatos, encontros, reencontros, comunidades e conhecimento que a internet proporciona. Também quer dizer ficar desinformado sobre os acontecimentos do último segundo. Sentir-se aflito nessa hora é então normal? (...)

Cutuque aqui se quiser ler todo o texto.

O particular do processo de fazer essa reportagem é que ela implicou numa revisão do argumento inicial da pauta, como toda verdadeira reportagem faz, ou seja, faz a gente aprender com ela. Minha hipótese inicial era a de que precisamos viver mais tempo desconectados, precisamos desconectar mais. Fui apurar e entrevistar tendo em vista esse enquadramento, mas os diálogos com os entrevistados foram aos poucos me mostrando e comprovando a idéia nova de que, na verdade, é necessário aprender a conectar de outro modo. Ou seja, não necessariamente descontecar, mas sim conectar de um jeito mais consciente. De modo que essa matéria foi quase uma terapia!

E o trabalho de organizar todo esse processo (a própria mudança da pauta, em si, era um tópico que merecia chegar ao leitor) numa redação coerente e legível tornou-se uma terapia ocupacional...

terça-feira, 30 de junho de 2009

De fora para dentro

Para quem não viu no site do Itaú Cultural o box da minha reportagem sobre músicas brasileiras com versões em outro idioma, publico aqui mesmo. Trata-se de um produto inesperado da apuração: músicos estrangeiros cantando música brasileira EM PORTUGUÊS. Veja e ouça os três exemplos que encontrei:

De fora para dentro

Um tipo de versão diferente acontece quando artistas de outros países decidem cantar em português:

A japonesa Tomoko Nozawa canta várias músicas num português até certo ponto entendível. Caso de "O Barquinho", da bossa nova
.




Um exemplo de extremo é a islandesa Björk cantando em português a música "Travessia", de Milton Nascimento. Poucas palavras podem ser compreendidas.



Mas há versões que alcançam o encanto do original, mesmo com os acentos. É o caso da diva alemã Marlene Dietrich cantando "Luar do Sertão" ao vivo no Rio de Janeiro, em 1959.

domingo, 28 de junho de 2009

Essa música é nossa!

Eu já vinha dando petiscos aqui de uma reportagem que há meses eu fazia sobre versões de música brasileira em outros idiomas. Um petisco foi este aqui; outro, este acolá!

A apuração foi muito árdua, demorada, principalmente porque eu queria fugir dos exemplos clássicos de versões da bossa nova. Deu trabalho a pesquisa, mas rendeu uma série de pérolas. Descobri música gaúcha em alemão, "Bate forte o tambor" do Carrapicho em russo e "Asa Branca" em inglês, dentre tantos outros. Por isso, essa reportagem também foi muito divertida de fazer.

Pois bem, finalmente ela ficou pronta e está no ar, no site do Itaú Cultural. O texto começa assim:

Em 1966, Chico Buarque ficou conhecido ao ganhar o Festival de Música Popular Brasileira, transmitido pela TV Record, com a canção A Banda. A ditadura militar contextualizava e dava sentido à letra dessa música.

No fim da década de 1960, a cantora francesa France Gall ficou conhecida na Alemanha com vários hits, entre eles uma versão alemã de A Banda. Chama-se Zwei Apfelsinen im Haar, traduzindo: "Duas laranjas no cabelo". (...)

Continue lendo, se quiser, cutucando aqui!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Mais faceiro que guri de bombacha nova

Onteu eu já fiquei todo prosa publicando aqui minha primeira reportagem em alemão. Que orgulho! Achei que essa faceirice fosse insuperável, aí hoje abro meu email e leio isto aqui:

"Queridos,
Escrevi um perfil do Augustóteles para o blog do Rumos: http://rumos2009.wordpress.com/2009/06/11/galeria-de-personagens-rumos-augusto-paim/
Espero que todos curtam, e que estejam bem!
Beijos
r."

"r." é Reuben da Cunha, meu ex-(e sempre atual)colega no programa Rumos de Jornalismo Cultural do Itaú Cultural. Jornalista, escritor e mestrando em literatura na USP. Dono de um texto cheio de sacadas, que ele usou contra mim, a meu favor. Por isso estou orgulhoso.

Se sou jovem demais para merecer um perfil, o texto primoroso do Reuben ao menos vale a leitura. E este blog é citado por lá, por isso a divulgação do perfil também por aqui.

Bem, se um dia me pedirem portfólio ou currículo, mando só o texto do Reuben e já deu pra bola.

Agora vou sair da internet e tomar um mate, faceiro, faceiro, me imaginando um guri já graúdo, pois tenho perfil e tudo o mais...

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O tempo faz a música

Quando estava na Alemanha, estagiei no jornal Meppener Tagespost. Lá eu fiz notinha, ajudei em enquete, acompanhei jornalistas em reportagens, fui pauta e por aí vai. Nada muito digno de ser relatado, se tudo isso não tivesse acontecido em alemão.

Pois bem. Após a viagem a Karlsruhe, onde visitei o Centro de Mídias e Arte Eletrônica para o Itaú Cultural, voltei com uma pauta para uma reportagem. Ofereci ao jornal. Eles toparam. E foi então que eu fiz A Minha Primeira Reportagem em Alemão. Assim, com iniciais em maiúsculo, porque me encho de orgulho.

E eu não escrevi em português e depois traduzi: rascunhei a reportagem em alemão mesmo. Depois o texto passou pelo crivo do meu amigo e colega Manfred Fickers, que tinha facilidade, em função do seu conhecimento de latim, de entender o que eu estava querendo dizer no meu alemão à brasileira.

Ao que parece, a reportagem não foi publicada, até porque é um jornal diário e eu fiz o que se chama de "matéria fria", ou seja, sem vínculo factual, sem vínculo com a atualidade. O que tentei foi ser sensível mesmo. A história, da minha parte, me encantou.

Disponibilizo então abaixo, com muito orgulho, a reportagem "Die Zeit macht die Musik". Coloco primeiro em alemão, com as fotos. Após segue versão traduzida.

***

Die Zeit macht die Musik

Text und Photos von Augusto Paim

Herzlake. Kennen Sie Elektroakustische Musik (EM)? Nein? Familie Beelmann in Herzlake auch nicht, aber ein Neffe ist berühmt dafür.

In sein Raum im Zentrum für Kunst und Medientechnologie (ZKM) im Karlsruhe arbeite Ludger Brümmer am Computer. Er macht Musik. Ohne Instrumente, ohne akustische Klangerzeuger. Die Klänge bewegen sich zwischen 47 Lautsprechern, die wie ein Kugel ausgerichtet sind. Brümmer muss diese Bewegungen kontrollieren. „Es ist als ob in einem Konzert die Musiker mit ihren Instrumenten in der Raum herumlaufen", sagt er.



Dies ist Elektroakustische Musik, ein Zweig der Neuen Musik. Sie gilt als Revolution in Theorie und Praxis. Interaktion mit dem Computer, die Verknüpfung von Musik und Video sowie artifizielle Klänge werfen die Frage auf, was wirklich Musik ist. 1952 hat der US-Musiker John Cage mit dem Lied 4'33'' diese Frage dem Publikum gestellt indem er sich vier Minuten und 33 Sekunden vor ein Klavier setzte, ohne eine Note zu spielen. Er wollte zeigen, dass Musik auch Ruhe ist, wie jeder Musikern weiß.

Aber nicht alle Musiker wissen was ist EM ist und sie müssen es auch nicht unbedingt. Wer mit ihr vertraut ist, kennt die Arbeit von Brümmer. Er hat schon viele Auszeichnungen bekommen, Werke in internationaler Zusammenarbeit produziert und auch unterrichtet. Er ist seit 2003 Leiter des Instituts für Musik und Akustik beim ZKM.

Seine Tante Margaret Beelmann, 71 Jahre alt, die in Herzlake wohnt, hatte früher oft den kleinen Ludger auf ihrem Bauernhof zu Gast. Er wurde im August 1958 in Werne, Nordrhein-Westtfalen, geboren und kennt das Emsland von Familietreffen.


Früher war er ein Einzelgänger", erzählt sie. Er hatte auch Probleme in der Schule. Aber nicht mehr, seitdem er mit etwa 19 Jahren ein Klavier von seinen Mutter bekommen hatte. „Wir haben aber nicht viele Musikern in unsere Familie", sagt Onkel Alois Beelmann, früher Landwirt aber heute Rentner, 76 Jahre alt. „Ich weiß nicht, woher er dieses Talent hat."

Die Brüder Alois und Hermann Brümmer trafen sich häufig in Herzlake, um zusammen zu jägen. Dabei wurde Hermann von seiner Frau Klara und ihren sechs Kindern, unter ihnen Ludger, begleitet. Spielkameraden waren die Vettern und Kusinen. Ludgers Oma soll damals den Verdacht gehabt haben: „Der Junge will nur von Luft und Liebe leben."


Dazu ist es nicht gekommen. Bald gab er Jugendlichen Musikunterricht und verdiente damit Geld. Er bildete sich immer weiter fort und wurde schließlich Institutsleiter beim ZKM.


Das Ehepaar Beelmanns sitzt zusammen mit Joseph, Ludgers Cousin, vor den Computer. Zu sehen und zu hören ist Ludger Brümmers Werk „Speed", ein Video mit abstrakten Bildern verknüpft mit artifiziellen Tönen. Klang- und Bildsignale sind durch das Computerprogramm miteinander verknüpft.

Wer hattet das gedacht, dass unsere Ludger so etwas machen würde", sagt die Tante.

***

"O tempo faz a música"

Você conhece Música Eletroacústica (ME)? Não? A família Beelmann na cidade de Herzlake também não, mas eles tem um sobrinho muito famoso nessa área.

Ludger Brümmer trabalha no computador na sua sala do ZKM (Centro de Mídia e Arte Eletrônica). Ele está fazendo música, sem instrumentos musicais. Os sons movimentam-se entre 47 auto-falantes dispostos em forma de globo. Brümmer controla essa movimentação. "É como se num concerto os músicos andassem pela sala com seus instrumentos", diz.

Isso é Música Eletroacústica, um ramo da Música Contemporânea. Trata-se de uma revolução na teoria e na prática musical. Interação com o computador, junção de música e vídeo assim como sons artificiais questionam o que de fato é a música. Em 1952 o músico estadunidense John Cage propôs pela primeira vez essa questão ao público com a canção chamada "4'33''". Durante quatro minutos e 33 segundos ele sentou diante do piano sem tocar uma nota sequer. Ele queria mostrar assim que música também é silêncio, algo que todo músico sabe.

Mas nem todos os músicos sabem o que é ME e também não precisam. Mas quem conhece, conhece também o trabalho de Brümmer. Ele já ganhou muitos prêmios, tem trabalhos produzidos em parcerias internacionais e também dá aula sobre o assunto. Desde 2003 ele é diretor do Instituto de Música e Acústica do ZKM.

Sua tia Margaret Beelmann, 71 anos, mora em Herzlake e costumava receber o jovem Ludger Brümmer em sua fazenda. Ele nasceu em agosto de 1958 em Werne, no estado de Nordrhein-Westtfallen, e conhece a região de Emsland (onde Herzlake situa-se) de encontros de família.

"Antigamente ele ficava andando sozinho por aí", conta ela. Ele tinha problemas na escola. Isso até perto dos 19 anos, quando então ganhou um piano da sua mãe. "Nós não temos muitos músicos na nossa família", diz o tio Alois Beelmann, 76 anos, fazendeiro aposentado. "Eu não sei de onde ele herdou esse talento."

Os irmãos Alois e Hermann Brümmer encontravam-se frequentemente em Herzlake para caçar. Hermann vinha então com sua mulher Klara e seus seis filhos, entre eles Ludger. Os primos e cunhados eram camaradas. A avó de Ludger costumava deixar claro nesses encontros o que pensava sobre o menino: "ele quer viver apenas de ar e amor!"

Isso não aconteceu. Logo o adolescente Ludger começou a dar aulas de música, juntando assim seu próprio dinheiro. Ele continuou estudando e acabou por se tornar, bem mais tarde, diretor no ZKM.

O casal Beelmann senta-se junto com Joseph, primo de Ludger, diante do computador para ver e assistir à obra "Speed", um vídeo de imagens abstratas e sons artificiais. A autoria é de Ludger. O som foi transformado em sinais visuais por meio do computador.

"Quem iria imaginar que o nosso pequeno Ludger faria algo assim...", diz a tia.

***

Algumas observações:

1) o título "Die Zeit macht die Musik" é uma referência a uma expressão muito usada na Alemanha, "der Ton macht die Musik", ou seja, "o tom faz a música".

2) eu passei algumas horas na fazenda dos Beelmann, inclusive almocei com eles. Faz anos que Ludger não dá as caras por lá, em função de compromissos profissionais que todo mundo entende. Eles pouco sabiam do que o sobrinho fazia e esse foi o argumento principal da pauta: "existe uma família em Herzlake que tem um sobrinho muito famoso, mas famoso por algo que ninguém conhece, nem eles." Sendo assim, eu tive que atualizar a família dos trabalhos do sobrinho e uma das experiências mais bacanas foi justamente quando liguei o computador diante deles e apresentei o que Brümmer andava fazendo. Eles ficaram encantados, mesmo sem entender bulhufas. Duvido que uma obra de arte contemporânea provoque tanta comoção quanto a que a do sobrinho causou neles.

3) a matéria era um pouco maior e foi editada para caber no espaço do jornal, procedimento comum em redações. Com isso alguns trechos importantes foram retirados, o que modificou o ritmo da matéria, o fluir dela, o que é facilmente percebível em alguns trechos. Também vejo que a tradução para o português deixa algumas partes meio bobas. Bem, faz parte do processo.

4) vamos às legendas das fotos: a primeira mostra Ludger em 2009 numa sala no ZKM, onde dá para ver um modelo reduzido da estrutura dos auto-falantes dispostos em forma de globo; na segunda, tirada alguns dias depois desse meu encontro com Ludger no ZKM, a tia dele me mostra, na fazenda em Herzlake, fotos da família; a terceira foto é do túnel do tempo, o jovem Ludger dançando com a tia Margaret; a quarta foto, tirada por mim quando da apuração, mostra o tio Alois na fazenda, especificamente na pracinha, onde hoje a nova geração da família se diverte.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Música gaúcha em alemão

O músico gaúcho Mauro Harff fez versões em alemão de músicas clássicas do cenário regional do Rio Grande do Sul. As versões fazem parte do trabalho Alles Tchê, com o qual Harff rodou a Alemanha em turnê, divulgando a música gaúcha entre os alemães. Ele se apresentou mais de 300 vezes por lá. O projeto incluía material impresso explicativo.

Traduzir música regional é tarefa árdua. Ainda mais em se tratando do linguajar gaúcho, praticamente indecifrável em outros estados, que dizer em outros países, em outros idiomas. Mas Harff explica como resolveu a questão: "quanto ao vocabulário, tudo que é nome próprio permanece no original. O show acompanha um glossário para as pessoas entenderem o significado dos nomes."

Abaixo segue a versão "Klang aus Alegrete", que Harff gentilmente autorizou publicar aqui no AugustFest. Para quem não conhece a música, logo depois da versão em alemão segue versão em português do músico Renato Fagundes. A original chama-se "Canto alegretense" e é um ícone da música gaúcha.



terça-feira, 2 de junho de 2009

Palavrascomplicadasemalemão

Minha amiga Lenara Verle, que foi minha verdadeira escola de Frankfurt na Alemanha (foi ela quem me acompanhou na visita ao ZKM quando fui a Karlsruhe e Franfkurt fazer uma reportagem para o Itaú Cultural), fez um post em seu blog intitulado: "Pequeno dicionário de Alemão para estudantes."

Como Lenara mesmo diz, trata-se de "um dicionário com palavras que gostaria de ter aprendido em algum lugar antes de começar meu curso. Se alemão já é difícil, o jargão acadêmico é pior ainda!"

Em tempo: Lenara está fazendo doutorado na famosa Universidade de Frankfurt, na Alemanha.

Cutuque aqui para ler o post dela.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Petiscos musicais

Estou finalizando hoje uma reportagem sobre músicas brasileiras com versões em outro idioma. A pesquisa durou meses e rendeu achados que são verdadeiras pérolas, como música gaúcha em alemão, "Trem das Onze" em inglês e bossa nova em japonês.

A matéria será publicada daqui a alguns dias e eu a lincarei no Augustfest. Por hora, deixo de petisco duas das pérolas que encontrei. A primeira é um exemplo de versão bem feita. "Asa Banca", em inglês, cantada por David Byrne:



A outra, bizarra, é uma versão "Família Adams fazendo veraneio", em russo, da música "Bate forte o tambor", do grupo Carrapicho.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Tantas emoções na volta ao Brasil

Ontem entrevistei o grande, o maravilhoso, o famigerado, o magnífico (cover do) Roberto Carlos. A entrevista foi na não menos celebrada Niterói (na verdade, estive no cover do ponto turístico carioca. A entrevista foi em Niterói, bairro de Canoas, na grande Porto Alegre).

No fim, Carlos Alberto da Silva cantou uma música só para mim:

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Segundo meu amigo Fabiano Flores, fã do Roberto Carlos, a entrevista poderia ter encerrado com esta fala: "São tantos alemães..."

Carlos Alberto da Silva é cover do Roberto Carlos há 12 anos. Participou de concurso de melhor cover do Rei no Caldeirão do Huck e já esteve duas vezes no Faustão (como ele é magrinho, coube no palco). Creio porém que sua maior honra foi essa entrevista que me concedeu e que vai ao ar no programa Diverso, da Rede Minas.

Conheça (ou contrate) o clone do Rei cutucando aqui!

***

Depois da volta repentina da Alemanha, fiquei certo tempo de molho pensando em o que fazer com este blog, o Augustfest (vai que você achasse que está em outro blog!). Na verdade não fiquei pensando só nisso não, eram várias coisas a serem pensadas, mas essa foi uma. Enfim, este blog existe há apenas oito meses e já tem muita história. Mesmo que eu não tenha mais como relatar minha experiência de intercâmbio, acredito que seria muito triste deixar o blog para trás.

Com isso decidi que o Augustfest vai relatar agora qualquer tipo de experiência. Bastidores de reportagens que eu fizer, situações engraçadas que eu empreender ou perceber, e por aí vai. O estilo seguirá o mesmo de todos os posts que fiz até agora. E se por acaso eu voltar à Alemanha algum dia, vocês perceberão que o blog não vai ter mudado muito.

É isso. Espero que o blog siga com os leitores de antes. Senão vou achar que o povo estava interessado na Alemanha mesmo, não nas minhas histórias.

Grande abraço!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Operação Alemanha, abortar!

A quem interessar possa, volto definitivamente para o Brasil na próxima quarta-feira, 15 de abril. Chego às 9h40 da manhã no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, vôo Tam 3501. Quem quiser ir lá me ver está convidado, mas não receberá nenhum presente, pois estou saindo meio que de repente da Europa e não deu tempo de comprar lembranças.

Os motivos da minha volta repentina, eu explico quando voltar. Só posso dizer que minha primeira investida à Europa se encerra agora. Já deu o que tinha que dar.

Bueno, até breve aos que vou reencontrar! Até a próxima, para os que deixo!

quarta-feira, 25 de março de 2009

Sequestro-relâmpago

Lamento informar aos amigos do Guto (e meus, por tabela) que sequestrei o blog em sinal de protesto. Contra a minha vontade, o início do nosso namoro foi associado a uma música breguíssima!!! Como eu, Greta Lemos, vocalista de banda de Heavy Metal, soprano do coral da PUC, posso ser associada a algo assim? Enfim, por mais que o amor nos deixe completamente bobos e inconsequentes (a ponto de se atravessar um oceano para encontrar um gaúcho italiano disfarçado de alemão) eu quero encontrar uma forma de fugir desses clichês e mostrar para todos a minha interpretação sobre a nossa história: algo assim, surreal, inesperado, que não se sabe bem como começou ou como (e se) vai terminar um dia, cheio de aventuras e surpresas a cada momento...




Essa sim é uma obra de arte! Tanto a música quanto a letra conseguem chegar muito próximo (mas não expressam completamente) do que eu sinto por este guri, uma mistura de "aupair", judoca, jornalista famoso, jogador de futebol... e que ainda está se revelando um grande amigo e o melhor namorado que eu poderia querer...

Ok, agora para os meus queridos amigos que estão no Brasil se perguntando "por onde anda a Greta, que sumiu do msn?" Estou muito feliz aqui em Trebbin (Alemanha), não virei "escrava branca" nem resolvi virar dançarina brasileira em Amsterdam. *risos* Fui muito bem acolhida por uma família linda que, de quebra, nos emprestou seus dois membros mais jovens para que Guto e eu pudéssemos "brincar de casinha" sem faltar nada. Vejam que família bonita seríamos, não?


Nesta última foto só o Karl aparece porque o Leo (cinco anos) foi o fotógrafo. Menino cheio de talentos, além de ser um amor...


Aqui, pose do Karl só pra deixar todo mundo "babando" pelos lindos olhos azuis dele...

Além da família Weitz, fomos recebidos por uma dupla fantástica para uma "almojanta". Carlos e Maud são amigos muito queridos, o Carlos era vizinho da família antigamente e, apesar de ter se mudado, ainda mantém um contato muito próximo. Foi uma noite de muitos risos e trocas (Carlos fala português que aprendeu em Moçambique) regada a vinho e música. Espero que ainda nos encontremos mais algumas vezes antes de voltar.


E ontem, terça-feira, eu tive uma grande surpresa! Já tinha perdido as esperanças de que isto acontecesse, mas quando Guto e eu estávamos saindo pra pegar o trem até Berlim, começou a nevar!


Eu tinha visto anteriormente o post do Betinho avisando que "Europa não é essa moleza não". Mas eu resolvi ignorar o recado e vim, e descobri outras coisas que corroboram a idéia, inclusive que diversão dói. *risos* A neve é linda, mas eu definitivamente não estava preparada prá enfrentar o "frio europeu". Indiada por indiada (já que o casal aqui é sócio de carteirinha da Funai) não deixamos de ir para Berlim, apesar dos pés gelados e das roupas molhadas pela nevasca (que durou exatamente o trajeto de bicicleta de casa até a estação de trem). Aliás, acho que o Augusto está descobrindo que namorar também não é moleza: ele me levou na "boléia" da bike o trajeto inteiro até a estação, que dava uns 20 minutos de pernada, abaixo de neve, na maior raça. Pena que não tinha ninguém pra fotografar ou filmar a cena. Mas não vou esquecer nunca do que vivemos naqueles minutos, foi um dos passeios mais lindos e surreais que já fiz na vida...

Ok, não foi tão relâmpago o sequestro do blog, mas eu tinha que mostrar essas coisas lindas que estamos vivendo aqui. E o quanto eu ando boba de tão feliz com tudo isso. E, por fim, mesmo caindo num dos clichês desse sentimento tão sublime que justifica a nossa existência, empresto as palavras de Vinícius de Moraes para descrever o que eu espero para nós dois, aqui, no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo: "...que seja infinito enquanto dure".

sábado, 21 de março de 2009

Deus, Deus, Deus, você fez

* Texto escrito para Greta, dois meses menos um dia antes de ela vir me encontrar aqui na Europa.

Estou diante de Deus e digo:

- Eu fui um cara legal, amei sem limites, dei amor mais do que recebi, e não cobrei ninguém por isso. Cheguei na vida para transformar, e transformei. Deixei o mundo realmente mais alegre. Poderia ter feito mais se tivesse nascido no Rio. Mas fiz o que tinha que fazer. Eu mereço para toda a eternidade uma Greta!

Deus diz:

- De que jeito, Greta é nosso prêmio mais alto, a maior raridade do Paraíso. Você não fez por merecer tanto.

Eu digo:

- Abaixo da Greta, à minha altura, o que tem?

Ele coça o cavanha.

- Temos a Madre Tereza, mas ela está meio carcomida. A Maria quer permanecer virgem. Madalena não é flor que se cheire. Fora isso...

Ele me olha nos olhos, firme. Lê lá no fundo.

- A questão é que por mais que vocês se equiparem em alma, ela é muito mais linda que você!

- E se eu der uma malhadinha?

- Não dá tempo. Elá já está alcançando o Paraíso.

- Me dê dois meses menos um dia.

- Se você conseguir isso, ela é toda sua!

Eu fico contente. Olho as estrelas.

- Eu a amarei mais do que todos já a amaram. Todos juntos. E sei que o mundo inteiro a ama.

Deus caminha para lá e para cá. Alisa a barba. Fala.

- Confesso, eu gostaria de ter um affair com Ela, mas sei que ela não me quereria...

Eu olho Deus nos olhos. Sou maior que ele, porque tenho e recebo amor. O maior amor do mundo.

- Deus, meu chapa. Ela tem amigas...

Deus me dá um tapinha nas costas. Pisca para mim. Chora. Diz:

- Você ficando feliz, eu também fico!

- Se eu fizer a Greta feliz, ganho desconto para comprar terreno no céu?

- Também não abusa...

- Quem não arrisca não petisca...

Saimos os dois, abraçados. Eu, porque encontrei o amor da minha vida. Deus, porque ficou sabendo que amor existe de verdade.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Encontrando o amor - parte 2

Poderia citar aqui The Corrs, Gilberto Gil, The Dear Hunter e por aí vai, mas vou pela indicação no post anterior do Léo Foletto (um jornalista de música gabaritado, além de grande amigo)!





É brega, mas é a realidade.

Estou nas nuvens na Alemanha. Estava nas nuvens em Amsterdam até ontem. A história do pingüim do post anterior era atochação pura, como bem comentou o Gustavo.

Caros amigos, meu pinguinzinho é a Greta!





Linda, não? Eu digo, é a guria mais linda de todos os tempos.

E ao contrário do que o nome sugere, ela não é alemã. Nem russa, nem polaca, nem espanhola, como em Amsterdam acharam que fôssemos. Ela é gaúcha de Novo Hamburgo e mora atualmente em Porto Alegre.

Como nos conhecemos, estando eu aqui na Alemanha e ela onde eu estava antes de vir para cá (destino doido!)? É uma longa história. Eu a contaria com prazer, mas a Greta está me chamando agora. Já vou, amor.

Greta quer dizer "margarida", em alemão. Com ela vou poder dar rosas e dizer "flores para uma flor", sem ser tão clichê.

Ela enche meu coração de felicidade aqui pelas próximas duas semanas, quase três. Depois volta para o Brasil e eu vou ficar escutando Zezé de Camargo e Luciano e chorando a saudade.

É isso. A partir de agora, encabeço o time dos "namorandos". Com muito orgulho!

terça-feira, 10 de março de 2009

Encontrando o amor - parte 1

Quando um cara solteiro, 20 e poucos anos, resolve juntar suas trouxas, vestir seu pala e ir de mala e cuia para a Europa, certamente está com muitas expectativas. Liberdade, para ser mais exato, é a palavra que remete à expectativa.

Assim embarquei no avião para a Alemanha, cheio de "o que tiver de vir que venha." Mas a vida é sempre, sempre, sempre uma caixinha de surpresas.

E se esse cara solteiro, 20 e poucos anos, encontrasse justamente onde não quisesse encontrar o amor da sua vida? E não um amor alemão, o que soa ainda mais doido. Um amor que atravessou um oceano para ir ao seu encontro, um amor que só foi possível na Alemanha, naquele exato momento. A Alemanha, portanto, como ponto de encontro de duas almas que foram (mal-)separadas na descida à Terra.

Um cara solteiro, 20 e poucos anos, que se depare com essa situação, não pode se sentir frustrado. Tem que ir ao encontro do destino, que é uma caixinha de surpresas também. O destino é cheio de imprevistos, está sempre aprontando das dele. Alguns desses imprevistos soam como coincidências maravilhosas.

Se uma coisa assim for colocada à sua frente, vá até ela e a beije, beije muito, tão apaixonadamente quanto puder. Sem medo do amor! Como eu mesmo fiz.



(continua...)

domingo, 1 de março de 2009

Que orgulho! Welcher Stolz!

Entrou hoje no ar minha mais recente reportagem. Ela é cheia de primeiras vezes, cheia de desafios que tive de enfrentar para fazê-la, e por isso estou muito feliz com o resultado.

Primeiro, foi minha estréia como correspondente internacional. Fui à cidade de Karlsruhe, na Alemanha, a pedido do Itaú Cultural, para visitar uma instituição mundialmente reconhecida que trabalha com arte eletrônica e arte contemporânea. Vencer o medo da responsasibilidade já foi difícil. Vencer o medo de ter de entrevistar em alemão, mais ainda. Mas deu certo e consegui essa primeira vez também: entrevistar em outro idioma. E, pior, entrevistar sobre arte contemporânea!

Bem, o texto começa assim:

"Um lugar para as velhas novas mídias

Na Alemanha, o instituto ZKM propõe soluções para a conservação de obras de arte contemporânea e eletrônica

Quando o visitante chega ao balcão para pedir informações, uma luz circular o encontra. Vai-se para o lado, a luz vai junto. Não há como fugir dela. O visitante foi pego. Logo, uma voz fala. As pessoas ao redor não estão prestando atenção. Sim, só ele a ouve."


(...)

[leia até o fim]

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Mario sai do armário

O Mario é vidrado em cultura clássica e obcecado por sistemas educacionais antigos, pensados por pensadores que já pararam de pensar há muito tempo. Eu gosto de tudo isso mas também gosto de SuperNanny. Estou fazendo o Mario gostar também. Como estou responsável por ajudar a educar os meninos dele quando estou sozinho, já usei o método da cadeira do castigo. O Mario, ao ouvir meu relato e saber que teve resultado, me deu tapas nas costas de felicidade.

Mario é filósofo, médico, artista. Já esteve no Afeganistão como médico-soldado. Eu trabalhei 8 meses no Hospital Universitário da UFSM. Não fiz nenhuma operação, era assessor de imprensa. Me considero filósofo (de boteco) e artista (de rua). Estou ensinando Mario a gostar de Elvis e Star Wars.

Estou pervertendo o pensamento intelectualmente correto de Mario com o tanto que tenho de cultura popular e pop art. Mas meu lado intelectual segue muito próximo do lado intelectual do Mario. Apenas estou fazendo ele sair um pouco do armário.

Um passo enorme nesse sentido foi dado hoje.



O Mario nunca aprenderia sobre chimarrão lendo Rousseau.

(Só se fosse lendo o catálogo do Russô, dono de quitanda no interior gaúcho...)

Enfim, aqui em Trebbin, há meia hora de Berlin, estou me tornando um cara mais sapiente convivendo com o Mario, que, por seu lado, está se tornando um cara mais pop convivendo comigo. Isso é que realmente se chama "inter"câmbio. Os dois lados lucram.

***

Me dei conta que não expliquei quem é o Mario. Talvez você não tenha lido os posts anteriores e não saiba portanto.

Enfim, Mário é aquele que te comeu atrás do armário.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Madredeus!

Há momentos que carecem de tradução. Só sei que sempre que escutar o grupo português Madredeus vou lembrar da janta de hoje à noite...

Não explico mais não para criar suspense, mas sim porque qualquer tentativa de explicar não explicaria.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Indo dessa pruma melhor...

Depois de cinco horas de viagem, duas trocas de trem carregando um malão, somado a um tiro de 200 metros rasos na estação central de Berlin para pegar o trem para Trebbin já partindo, tudo isso em meio a um resfriado que me deixou com a sensação de ter uma bola de ar trancada na garganta, cheguei aonde queria chegar. Isso é, ao lar da Família Weitz, com quem vou morar (e trabalhar como Aupair) pelos próximos cinco meses.

Se eu achava que estava bom em Haselünne e poderia estar jogando tudo pro alto, aqui é ainda melhor. Veja, por exemplo, como é a "minha casa".




Digo "minha casa" porque essa cozinha, sala (duas fotos), banheiro e quarto que mostrei são realmente só para mim. Ficam no porão da casa, com entrada privativa.

Eu mereço tudo isso, não? Mesmo se você disser que nem tanto, eu sei que mereço. Eheheheheh.

Ontem à noite, quando cheguei, fui recepcionado pelos menininhos dizendo meu nome (os pais ensinaram). Depois jantamos e ficamos horas conversando sobre coisas realmente fundamentais. Dei sorte de achar uma família com valores muito semelhantes aos meus. Não tive vergonha de expor meus pensamentos mais viscerais.

Hoje acordei cedíssimo, tomei café com a família e juntos fizemos um passeio a pé. Olha quanta neve:



Agora, com vocês, a família Weitz (sei que vocês estão ansiosos para conhecê-los também):


Mario, o pai. Laura, a mãe. Leo, o pequeno. Karl, o "mais pequeno" ainda (em português, diria-se "menor").

Trata-se de um casal jovem, muito interessado nas minhas atividades jornalísticas e literárias e nas notícias (realísticas, não fantasiosas) que trago do Brasil. Ou seja, interessados no melhor que tenho a oferecer. E também com muita cultura e informação para a gente trocar, para eu aprender com eles. Laura está terminando a faculdade de economia. Mario é médico, trabalha num hospital em Berlin. Em 2006, ele foi recrutado para servir como soldado-médico no Afeganistão. Ficou lá por 2 meses. Ele toca violino e é muito interessado no sistema educacional da DDR (que, salvo as primeiras ressalvas nazistas, é realmente elogiável, pelo pouco que já aprendi conversando e vendo exemplos de livros). Os dois têm interesse especial por literatura, filosofia e religião.

Daqui a pouco virão alguns convidados, numa pequena festa que eles organizaram para me receber.

No mais, tudo indica que terei uma boa estada na Alemanha até agosto, quando obrigatoriamente terei que pegar meu vôo de volta à pátria amada. Claro que as coisas não vão ficar "Augusto no País das Maravilhas" para sempre, eu não me iludo. Mas que começou bem, não tem como negar.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Augusto Entrevista: segunda edição

E o entrevistado de hoje é o mimosíssimo Oliver, 8 anos, que veio da Inglaterra para ser meu grande amigo no judô. Ele fala inglês e alemão, por isso essa mistura doida no vídeo.


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(Como era de se esperar, ele ficou tímido diante da câmera...)

No mais, hoje foi meu último dia de treino. Aproveitei para tirar uma foto da turma do sensei Alex Siemens, outra pessoa que me recebeu de braços abertos.

(Pena que hoje faltaram umas figurinhas carimbadas que também adoro e não estão na foto...)

Para se ter uma idéia de como me apeguei a essa turminha linda, veja as palavras que o diretor da associação esportiva da cidade, também judoca, pôs no meu certificado: "Augusto Paim é muito prestativo, amigo, pessoa de bem e muito querido pelos jovens atletas e colegas de treino. Como ele está deixando Haselünne, desejamos a ele tudo de bom e muito sucesso em seu novo caminho."

Essa alegria eu deixo um pouco aqui de brinde, mas tem muito mais para as novas pessoas que eu for conhecer (naturalmente, só se elas forem legais comigo também).

É isso. As despedidas servem para encerrar um velho ciclo. Que venha o que tiver de vier agora.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Tchau!

Sensação estranha... Estou num trem em direção a Berlim. Daqui mais ou menos duas horas vou conhecer uma família com quem, se o encontro presencial confirmar a grande empatia sentida por emails e telefonemas, devo morar nos próximos cinco meses. O trem vara a Alemanha de oeste a leste. Impossível não pensar no que está por vir e, na carona disso, no que já foi.

Realizei muitas coisas em seis meses morando em Haselünne. Não tem como dizer que não aproveitei. Em todas as áreas da vida. E fui um ótimo Aupair, preciso dizer. Você não tem como saber isso, mas eu sei. Fui um Aupair hipertextual que teve que se virar com inúmeras variações de um ambiente familiar diferenciado e converter tudo isso em energia positiva. Não foi fácil, preciso dizer. Mas deu certo.

Profissionalmente, foi ótimo. Estágio em jornal, primeira matéria internacional (aguarde, publico-a aqui logo), primeiras entrevistas e reportagens em alemão (não sei ainda se vão ser publicadas no jornal, mas, se forem, traduzo aqui). E também o programa Fiz Mundo, do qual muito me orgulho, pois não só ajudei a fazer, como fui co-concebedor da idéia, ao lado do meu amigo Leandro Lopes, da TV Minas. São na verdade dois programas. Se você não viu o primeiro, clique aqui! Trata-se de um programa internacional sobre a visão que os estrangeiros têm do nosso país. A proposta foi discutir a identidade nacional a partir do olhar alheio.

A segunda parte segue abaixo, em dois blocos.

Bloco 1:


Bloco 2:


No mais, fica esse sensação estranha de despedida e também de novo começo. Imagino as alianças e redes que farei agora próximo a Berlim, nos pouco mais de cinco meses que ainda me restam. Pois sou o cara da intermediação, do acordo, da rede, do grupo, do um mais um se somando para dar três. Se eu fosse morar numa fazenda, ficaria amigo das vacas, daria grama para elas por gentileza, escreveria sobre o processo de ruminação e proporia utilidades comunitárias pro leite e pro esterco. Em pouco tempo a fazenda seria outra.

Tchau, então, Nova Haselünne. Alguma coisa mudou com minha passagem, não? Um gordinho desajeitado que ao passar tira as cadeiras do lugar, esse sou eu.

Assim é a vida, assim é este blog. Mudando as histórias e os cenários de uma hora para outra. Assim é o ser humano, assim é o blog. O ponto de encontro entre o que se foi e o que vai ser, reunidos no que se é.

Agora é esperar ativamente o que vier.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Assim é a vida!

Algumas decisões são muito difíceis de serem tomadas. Mas se você não as toma, você não cresce, não rompe com algo que está ruim e te impedindo de ser feliz, de ser você mesmo. Às vezes parece que ser forte é agüentar no osso, mas para mim a coragem está na vontade de mudar, mesmo sabendo que tempos difíceis virão. Tudo bem para mim, se esses tempos difíceis forem necessários para uma estabilidade por vir, uma estabilidade melhor que a primeira. Eu mudo e nem tô.

Terça-feira disse para minha anfitriã que não queria mais morar aqui. Problemas de relacionamento entre adultos, visões de vida totalmente diferentes. Sem necessidade de entrar em detalhes. Quem me conhece sabe minha forma de viver e que estou aqui para acrescentar ao mundo, para conciliar. Se eu não consegui, é porque realmente não tive culpa.

O que me dói muito nessa decisão, mas muito mesmo, é saber que em breve não vou poder ver e abraçar todo dia Iládio, Benedito e Saboor, meus pequenos irmãos germano-brasileiro-afegães que aprendi a amar, a me divertir com eles sem esquecer de educar. Vou guardar vocês no coração, meninos. E vou visitá-los, escrever postais, torcer à distância que sigam crescendo saudáveis e bonitos. Não vou esquecer nunca do carinho que me deram nos últimos dias. Vocês fazem assim um marmanjo chorar...





Nos divertimos para caramba juntos, não? É isso que vai ficar. Nossa alegria. A única coisa que realmente importa nessa vida. Quem pensa que há coisas mais importantes, se engana. Preocupações meramente mundanas, vidas tocadas unicamente pelo pensamento profissional... Não, o que fica é justamente o que não fica.
So ist das Leben!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Um novo jornalista surge na Alemanha

E ele se chama... Augostu Paim!

Afinal, este texto só deve pertencer à outra pessoa, porque eu não escolhi assinar com pseudônimo:




E olha que eu nem queria assinar. Explico por quê. Me incumbiram (leia-se "atocharam") a tarefa de, numa enquete para o encarte do final de semana, guiar uma estagiária de 16 anos que freqüentou o jornal por alguns dias, apenas para decidir que profissão seguir. Eu, com 23 anos e já uma certa experiência jornalística, não levei muito crédito da guria. Nem na parte (na qual os procedimentos jornalísticos são muito úteis) de parar as pessoas na rua para fazer perguntas sobre o aumento de algumas multas de trânsito, nem na orientação de como se escrever um artigo jornalístico padrão. Resultado: eu sou responsável pelas fotos da página, e apenas por isso. Deixei a guria escrever por conta, porque não queria ser Aupair de adolescente no jornal.

Não dei muita bola então para o resultado, apesar de ter ficado de cara não só por o texto ter saído com o meu nome, mas também por, pior que isso, meu nome ter saído errado. Mas talvez seja bom, pode parecer que o autor é outra pessoa!

No mais, a minha primeira reportagem de fato vai ser esta semana. Isso me deixa orgulhoso. Será minha verdadeira estréia no jornalismo alemão. Tenho uma entrevista quarta, em que vou fazer o trabalho completo: ofereci a pauta, que foi aprovada; contatei os entrevistados; marquei a entrevista; vou fazer fotos; entrevistar; e depois escrever o texto, que será publicado no final de semana.

Espero apenas que dessa vez eles assinem meu nome correto...

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Jornalismo Literário alemão

Quarta-passada, eu estava sapiando (leia-se "estar sem fazer nada") durante meu estágio no jornal Meppener Tagespost. Resolvi abrir as páginas do tablóide, tentar decifrar aquelas palavras escritas numa língua para não ser decifrada. Dei de cara com um texto que, traduzindo, começa assim:

"Como se parecem as cores de verdade?
3000 alemães não sabem.

Nils têm cabelos castanhos, olhos castanhos, veste um jeans azul e uma camiseta azul claro. Apesar disso, o menino de 5 anos olha no espelho e enxerga a si mesmo cinza. (...)"

O texto é sobre uma doença cromática. O menino Nils a tem.

Eu fiquei impressionado com o texto. Em duas linhas, o autor tocou numa das principais questões que envolvem o enxergar tudo em preto-e-branco: a auto-imagem. Um texto escrito com sensibilidade, com cuidado, um texto difícil de fazer e que passa a sensação de vir fácil.

Eu passei dois dias tentando descobrir quem era o autor, pois a assinatura era da Deutsche Press Agentur (Agência Alemã de Notícias). Hoje sei: ele se chama Marco Hadem e trabalha em Düsseldorf. Ele talvez não saiba, mas fez jornalismo literário com essa matéria, um estilo jornalístico que procura se aprofundar e apurar muito mais do que apenas dados da realidade. Afinal, realidade são também nossos sentimentos, nossas percepções. E escrever um texto contando isso com propriedade, sem cair no sensacionalismo ou no pieguismo, é coisa para poucos.

Coisa para um cara que nem o Marcos Hadem. Parabéns a ele!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Fiz Mundo

Eis um projeto que idealizei e executei a partir da Alemanha (informações detalhadas você tem clicando aqui).

Bloco 1:


Bloco 2:


O programa continua semana que vem...

sábado, 31 de janeiro de 2009

Arte contemporânea alemã: garrafada e encontro com dançarino

Ontem estive na cidade de Karlsruhe, fazendo uma reportagem para o Itaú Cultural. Visitei o Museu de Arte e Mídias Eletrônicas, uma instituição respeitadíssima no mundo inteiro que trabalha com arte contemporânea e novas mídias. Mais do que isso, deixo para dizer depois, publicando daqui pouco mais de um mês a reportagem. No mais, fique com vídeos que gravei por lá:

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A arte contemporânea está aí para deixar nossa vida mais surreal, como você viu, mas se você já tem uma vida surreal, você não precisa dela. Eu, por exemplo, não necessito da arte contemporânea, pois atraio surrealidades.

Por exemplo: voltando de trem de Karlsruhe para Frankfurt, onde passei alguns dias, dividi meu vagão com adolescentes alemães (a palavra "adolescentes" já dá arrepios; somada ao adjetivo "alemães", então, a combinação é drástica) bebendo cerveja pra caramba (o ato de beber cerveja triplica a periculosidade e o drama da situação). Eu no meu canto, escutando música no mp3. De repente uma garrafa de vidro voa na minha direção, atinge meu lindo joelho. Sim, os adolescentes alemães acharam bonito beber e atirar a cerveja pelo ar dentro do vagão, sem olhar.

Eu levantei, xinguei os alemães em alemão. Eles me convidaram para beber com eles. Eu titubeei, mas não aceitei. Tinha que sair por cima. Aí eles descem, eu tento voltar à normalidade, mas a pilha do meu mp3 acaba. Isso depois de um dia cheio, fazendo entrevistas em alemão. Eu reclamo da garrafada para a fiscal do trem, e ela nem dá bola. Meu telefone toca, sou convidado para uma festa em Frankfurt. Desligo, paro na frente da porta para descer, emburrado. Alguém diz: "brasileiro?"

Sim, sou, e daí? Vai encarar?

Claro que não respondi isso, o que foi bom. Quem perguntou foi um menino de 17 anos, vindo de Curitiba. Desde os 13 ele está em Stuttgart fazendo um curso profissional de dança, em uma companhia de porte internacional. Chegou aqui sozinho, sem a família, e sem falar alemão nem inglês. Brasileiro, ele não desiste nunca. Raçudo mesmo. E será recompensado: talvez em alguns meses surja uma apresentação em Nova Iorque.

Bem, para conhecer gente bacana, às vezes vale a pena tomar umas garrafadas no trem. Até porque um acontecimento que nem esse pode virar um enredo típico de muitas obras da arte contemporânea: fragmentadas (sorte que a garrafa não se fragmentou ao bater no meu joelho); às vezes sem sentido, é o artista muitas vezes que o constrói (eu sei que a garrafada e o encontro com o dançarino não têm conexão entre si, foram eventos diferentes; ainda assim, gostaria de ver como uma coisa só, para ter mais graça); e causador de estranhamento, de choque (a garrafa se chocou contra mim). Assim foi minha volta contemporânea do museu de arte contemporânea de Karlsruhe...