quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Causos de Haselünne

Cousas estranhas acontecem em Haselünne. Isso é fato. Mas quando Betinho esteve aqui, presenciamos três num mesmo dia, um recorde.

A primeira estranheza
Eu e Betinho carregávamos as útimas coisas para fora da casa velha da Christine, num último ato antes da entrega da propriedade para a proprietária, quando vimos passar na rua uma mulher com um pônei. O pônei todo encilhado, bonitaço. Me fez lembrar da vez que andei de pônei no pátio do shopping Iguatemi, em Porto Alegre, quando eu era pequeno.

Suspiramos, pois o dia estava lindo, e voltamos para dentro para trabalhar e tomar mate. Então, eis que preciso ir para fora de novo e vejo o pônei correndo em sentido contrário. Só o pônei, nenhuma mulher. Eu tento pará-lo, mas ele já vai longe, dobrando a esquina, a trote. Corro até lá. Um carro pára, a motorista na certa pensa que o pônei é meu. E o pônei vai lá longe, em direção a uma zona de supermercados, com muito tráfego.

Eu estou parado na esquina, o carro também. Olhamos o pônei lá longe. Viro para trás, vem uma mulher enorme numa bicicleta. Era a mulher que estava com o pônei antes. Ela conversa com o Betinho, que não sabe falar alemão. Ainda assim, eles se entendem muito rápido. Ela me vê na esquina e vem na minha direção. A mulher do carro entende agora a quem pertence o pônei e dá carona para a ciclista, que de outro jeito não conseguiria alcançar o animal de estimação.

Alguns minutos depois, vejo mulher e pônei reunidos em frente à casa. Uma menina chorando completa o conjunto. Ela havia se machucado com a fuga do pônei. Vou até lá ver se está tudo bem.

Quando a Sabine, funcionária da Christine, veio buscar coisas na casa velha, encontrou esta cena: o Aupair brasileiro da chefe dela parado junto a uma mulher enorme com sua bicicleta, um pônei todo encilhado e uma menina chorando. Será que ela entendeu algo?

A segunda bizarrice
Depois de passar hora e meia numa das três lan houses da cidade, ao sair eu e Betinho nos deparamos com um homem dando tiros na esquina, a trinta metros de nós. Primeiro achamos que eram fogos de artifício, mas nos assustamos ao ver o tamanho do perfil da pistola recortada pela lua e ver que não saía pirotecnia nenhuma.

Voltamos para a lan e avisamos a funcionária. Ela veio para fora olhar. Analisou a situação e concluiu que era apenas alguém comemorando a vinda do ano novo, pois estávamos na véspera. Desconfiados, eu e Betinho permanecemos lá, aguardando a chegada da Christine para nos buscar. Então o homem veio na nossa direção, pelo outro lado da calçada. Quando ele chegou mais perto, eu gritei:

- Philipp?!

Sim, era meu colega do time de futebol. Gente boa, não tenho o que reclamar dele. Ele veio até nós, apresentei o Betinho, ele nos apresentou a pistola. Contei a ele que tínhamos nos assustado.

Vou evitar fazer falta nele daqui para diante.

A terceira bizonhice
Fim de um dia de muito trabalho, a saudade das pessoas que deixamos no Brasil apertando, eu e Betinho só queríamos relaxar tomando uma(s) cerveja(s). Havíamos comprado no mercado, mas tínhamos um grande problema: como fazer para gelar?

Os alemães tomam cerveja gelada sim (embora não que nem a nossa), mas também não se importam de tomar cerveja quente. Não têm freezer nas casas, e as geladeiras são pequenas, porque o povo vai no mercado quase todo dia, comprando pouca coisa de cada vez. Não tínhamos como gelar nossa cerveja.

Aí eu falei para o Betinho para deixarmos lá fora. Ele duvidou que fosse gelar, mas não tínhamos outra saída. Ele mesmo se aventurou no frio e deitou as cervejas sobre o chão congelado. Fomos jantar e, em torno de uma hora depois, decidimos abrir uma garrafa. Adivinha! Foi a cerveja mais gelada que bebi na Alemanha até hoje. Desceu maravilhosamente bem, gelada como uma cerveja brasileira.

É isso. Em Haselünne, o freezer fica do lado de fora da casa. Alguém tem que contar isso para os alemães!

3 comentários:

Thaís Brugnara disse...

1- Como que o Beto e a senhora enorme se entenderam????
2- Por que tu, Augusto, não laçou o pÔnei e voltou montado nele?
3- Como que a menina que tava chorando se machucou?
4- Pára de jogar futebol com bagaceiras!
5- Saudades de ti e do Beto.

Gustavo Hennemann disse...

Gente!! é óbvio que o Betinho é quem atrai essas coisas doidas. Vai dizer que não, Augusto? Ri demais dessas histórias. Apertou o peito de ver vocês juntos aí.

Leonardo disse...

Tche, repetindo (ou modificando) um comentário em outro post: não tem um post teu que eu não me abro rindo, seja lá do quê. Esse especialmente, que tem muito o que rir.
abraço!